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Direitos humanos no Vale do Ivaí: balanço do circuito

Circuito abre os debates sobre direitos humanos no Vale do Ivaí em Arapongas

Circuito sobre direitos humanos e geopolítica no Vale do Ivaí levou o documentário “Notas sobre um Desterro” a quase 800 pessoas em Arapongas e Apucarana, com a presença de Ualid Rabah e articulação entre escolas, assentamento rural e universidades.

O circuito sobre direitos humanos no Vale do Ivaí, realizado em Arapongas e Apucarana, levou cinema, debate e formação crítica para mais de 800 pessoas em dois dias de atividades. A proposta central foi aproximar grandes temas da política internacional da vida de estudantes, trabalhadores e comunidades rurais do interior do Paraná. Em vez de tratar a questão palestina e o fenômeno do desterro como assuntos distantes, o circuito buscou criar pontes concretas entre essas pautas e o cotidiano das escolas, dos assentamentos e das universidades da região. 

Direitos humanos no Vale do Ivaí e o desafio da informação

Muitas vezes, discussões sobre conflitos, refúgio e direito internacional ficam concentradas nas capitais e em grandes centros. No Vale do Ivaí, esse distanciamento dificultou, por muito tempo, o acesso da juventude a debates mais aprofundados. Nesse contexto, o circuito se apresentou como uma resposta a esse “vazio” informacional. Assim, ao exibir o documentário “Notas sobre um Desterro” e promover conversas com especialistas, a iniciativa abriu espaço para que direitos humanos no Vale do Ivaí entrassem de forma estruturada na agenda educacional. 

Rede de escolas, campo e universidades

Para organizar essa ação, o Comitê Unificado de Solidariedade à Palestina Arapongas‑Apucarana articulou uma rede ampla. A coordenação ficou com Amani Said, e a produção executiva, com Tiago Prado. Estiveram envolvidos colégios estaduais, o Assentamento Dorcelina Folador e instituições de ensino superior como UTFPR, UNESPAR e apoio institucional da APP‑Sindicato (Núcleo Arapongas). Dessa forma, escola, campo e universidade dividiram o mesmo projeto. Isso reforça que a defesa da dignidade humana não deve se limitar a grandes centros urbanos. 

Além disso, o circuito tinha objetivos bem definidos. Em primeiro lugar, buscou inserir o debate sobre direitos fundamentais e legalidade internacional nas instituições de ensino do interior. Em segundo lugar, quis oferecer um repertório sólido para estudantes que se preparam para o Enem e vestibulares, em que temas como refúgio, conflitos e direitos humanos são recorrentes. Por fim, a meta foi criar um marco de continuidade. A intenção é que direitos humanos na região sigam como pauta permanente de estudo, pesquisa e extensão, e não apenas tema de um evento pontual. 

Abertura em Arapongas

A programação começou na segunda‑feira, no Galpão Cultural Toca das Maritacas, em Arapongas. Cerca de 70 estudantes do Colégio Estadual Emílio de Menezes assistiram ao documentário “Notas sobre um Desterro”. Em seguida, participaram de um debate com a equipe do circuito e com Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). Segundo o professor Daniel Sartori, a repercussão foi imediata na escola. “A repercussão foi extremamente positiva. Muitos professores que não participaram estão querendo saber quando terá novamente”, relatou. 

Ainda em Arapongas, à tarde, o tema chegou aos ouvintes da Rádio Arapongas FM. A entrevista ampliou o alcance do circuito e levou a discussão para dentro de casas e locais de trabalho. À noite, foi a vez do Assentamento Dorcelina Folador receber a exibição do filme e uma roda de conversa. Moradores, lideranças locais e Lenir de Assis acompanharam a atividade e fizeram perguntas sobre Palestina, desterro e soberania alimentar. Dessa maneira, a realidade do assentamento foi conectada à de outras populações que lutam pelo direito à terra e à permanência em seus territórios. 

Dia de mobilização em Apucarana

Na terça‑feira, as atividades se concentraram em Apucarana. Pela manhã, o Cine Teatro Fênix reuniu aproximadamente 600 estudantes dos colégios Cerávolo, Santos Dumont e São Bartolomeu. O auditório lotado, o silêncio durante o filme e o interesse nas perguntas após a exibição mostraram que a abordagem funcionou com o público secundarista. Além disso, o evento contou com cobertura do Canal 38. Assim, esse acompanhamento ajudou a consolidar direitos humanos no Vale do Ivaí como tema de interesse regional. 

Durante a tarde, o circuito entrou no ambiente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Apucarana. Professores e acadêmicos participaram de uma sessão de extensão que combinou emoção e análise técnica. Houve perguntas sobre direito internacional, deslocamentos forçados e o papel do cinema documental na produção de memória sobre conflitos. Relatos da coordenação apontam momentos de forte sensibilidade e conexão. Esses momentos se desdobraram em uma sabatina qualificada com Ualid Rabah, o que aprofundou ainda mais a discussão. 

À noite, o encerramento ocorreu na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), em um painel que reuniu os cursos de Direito e Serviço Social. Professores e estudantes discutiram tratados internacionais e o cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também abordaram caminhos jurídicos para enfrentar violações em diferentes partes do mundo. Com isso, direitos humanos no Vale do Ivaí deixaram de ser apenas um tema de opinião e passaram a integrar o campo de estudo acadêmico. Dessa forma, teoria e realidade concreta passaram a caminhar juntas. 

A voz de Ualid Rabah e a continuidade

Em todas as mesas, Ualid Rabah atuou como conferencista central. Presidente da FEPAL e uma das vozes brasileiras mais reconhecidas no debate sobre Oriente Médio e refúgio, ele destacou a capacidade da juventude do interior do Paraná de lidar com temas complexos. “O balanço desse circuito pelo Vale do Ivaí demonstra que o interior do Paraná possui uma comunidade acadêmica e escolar vibrante, pronta para debater os grandes temas globais contemporâneos”, afirmou. 

Em seu pronunciamento, Ualid ressaltou que discutir desterro, refúgio e cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos em espaços como UTFPR e UNESPAR é essencial para a formação de uma cidadania ativa. Para ele, o cinema documental cumpre um papel central ao “humanizar os dados estatísticos dos conflitos mundiais”. Assim, a juventude consegue compreender melhor a importância da legalidade, dos tratados internacionais e da solidariedade entre os povos como caminhos possíveis para a construção da paz social. 

Diante da adesão das escolas e universidades, o Comitê Unificado propõe transformar o circuito em um fórum permanente. A ideia é que espaços acadêmicos atuem de forma continuada em projetos sobre direitos humanos na região, com apoio da APP‑Sindicato. A experiência desses dois dias indica que, quando o interior recebe informação qualificada e tem espaço para perguntar, a resposta aparece em forma de participação, interesse e vontade de seguir o debate.

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