Documentário sobre Palestina inspira circuito regional, aproximando direitos humanos e geopolítica de escolas e universidades.
O circuito regional de direitos humanos no Vale do Ivaí chega às cidades de Arapongas e Apucarana, na última semana de maio, com uma proposta clara: aproximar o debate sobre Palestina, geopolítica e deslocamentos forçados da realidade de estudantes, educadores e comunidades locais. A programação tem como eixo o documentário “Notas sobre um Desterro”, dirigido por Gustavo Castro, e integra exibições seguidas de conversas com convidados, em diferentes espaços educacionais e culturais.
Organizado pelo Comitê Unificado de Solidariedade à Palestina Arapongas–Apucarana, sob coordenação da advogada e ativista Amani Said, o circuito articula escolas, universidades e movimentos sociais. Além disso, conta com apoio institucional e cultural da APP Sindicato – núcleo Arapongas, que colabora na mobilização da rede pública e no diálogo com profissionais da educação.
Circuito regional de direitos humanos no Vale do Ivaí: proposta e contexto
O circuito regional de direitos humanos nasce em um contexto de preocupação crescente com conflitos internacionais, violações de direitos e migrações forçadas. Todavia, a proposta central é criar espaços de escuta e reflexão, usando a linguagem do cinema como ponto de partida. Dessa forma, estudantes do ensino médio, acadêmicos e moradores da região podem discutir temas globais a partir de histórias concretas.
A iniciativa passa por Arapongas e Apucarana, em sessões distribuídas entre manhã, tarde e noite. Em Arapongas, a abertura acontece em um espaço cultural da cidade, com foco na participação de estudantes da rede estadual e de cursos técnicos. Em Apucarana, a programação inclui auditórios universitários e equipamentos culturais, integrando diferentes níveis de ensino.
Portanto, o circuito dialoga diretamente com a tradição da educação pública na região. O envolvimento da APP Sindicato – núcleo Arapongas fortalece o vínculo entre direitos humanos, escola e mundo do trabalho. Professores e professoras são convidados a utilizar o filme e os debates como material pedagógico, estimulando projetos e trabalhos em sala de aula.
Ualid Rabah e Gustavo Castro: cinema, geopolítica e direitos humanos
Um dos destaques do circuito é a presença de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). Ualid atua há anos na defesa da causa palestina e na discussão pública sobre direitos humanos e geopolítica. Assim sendo, no Vale do Ivaí, ele participa das sessões como debatedor, ajudando a contextualizar o documentário e respondendo perguntas do público.
“Notas sobre um Desterro”, filme que estrutura o evento, acompanha a experiência de desterro e deslocamento de pessoas afetadas diretamente pelos conflitos. A obra evita a abordagem distante e abstrata. Em vez disso, privilegia relatos, rostos e trajetórias individuais, permitindo que o público se aproxime da dimensão humana da guerra e da expulsão de famílias de seus territórios.
A combinação entre a leitura política de Ualid Rabah e a linguagem cinematográfica de Gustavo Castro cria um ambiente propício para análises interdisciplinares. Estudantes de áreas como Direito, Serviço Social, História, Relações Internacionais, Comunicação e Pedagogia encontram, no circuito, um material concreto para discutir conceitos muitas vezes presentes apenas em livros e teorias.
Educação, cultura e geopolítica no Vale do Ivaí
O circuito regional de direitos humanos no Vale do Ivaí também reforça a importância dos espaços culturais e acadêmicos como locais de formação política ampla. Ao levar o cine‑debate para diferentes instituições, o evento aproxima a pauta internacional da rotina de cidades de porte médio. Assim, Arapongas e Apucarana entram no mapa de debates que usualmente se concentram nas capitais.
As sessões buscam valorizar a participação ativa do público. Após o filme, mediadores locais abrem a palavra para perguntas, comentários e relatos, o que permite a construção de um diálogo horizontal. Estudantes podem questionar, concordar, discordar e relacionar a experiência do desterro palestino com outras formas de violência, discriminação e injustiça presentes no Brasil.
A presença da APP Sindicato – núcleo Arapongas contribui para que o circuito seja também um espaço de valorização do trabalho docente. Assim sendo, o sindicato apoia a produção de materiais de apoio, incentiva a participação das escolas e divulga o evento entre educadores. A expectativa é que, depois do circuito, novas atividades sejam desenvolvidas em sala de aula, em grêmios estudantis e em coletivos juvenis.
Perspectivas e possíveis desdobramentos
Embora esta primeira edição concentre suas atividades em Arapongas e Apucarana, a coordenação avalia a possibilidade de ampliar o circuito regional de direitos humanos no Vale do Ivaí. Contudo, estuda‑se tanto a repetição de sessões nessas cidades quanto a realização de exibições em outros municípios da região. A ideia é criar uma agenda permanente de reflexão sobre direitos humanos e geopolítica, sempre ancorada em experiências culturais acessíveis.
A iniciativa demonstra que cinema, educação e organização social podem caminhar juntos na construção de uma cultura de direitos. Portanto, ao trazer para o centro do debate as histórias de desterro e resistência na Palestina, o circuito convida o público do Vale do Ivaí a olhar para o mundo com atenção crítica, empatia e responsabilidade.
Participação estudantil em destaque
Quase 800 estudantes do ensino médio das redes públicas de Arapongas e Apucarana já confirmaram presença nas sessões do circuito. Eles se somam a mais de 500 alunos do ensino superior, com destaque para as turmas da UNESPAR e da UTFPR; todosCampus Apucarana.
A participação conjunta dessas instituições mostra que o debate sobre Palestina, desterro e direitos humanos ultrapassa os limites da sala de aula e se torna uma experiência de formação mais ampla. Ao reunir estudantes de diferentes níveis de ensino, o circuito fortalece o diálogo entre escola e universidade. Desta forma, reforçando o papel da educação pública como espaço central para a reflexão crítica sobre os grandes temas do nosso tempo.






