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Moção de Anistia: Hipocrisia, Caos Carcerário e Retrocesso

Camara de Vereadores de Arapongas, onde realiza as sessões.

Em 08 de janeiro de 2023, Brasília foi palco de ataques violentos que abalaram os alicerces da nossa democracia. Crimes graves – desde invasões a prédios públicos até vandalismo – foram cometidos, resultando na condenação de indivíduos responsáveis por atentarem contra o Estado democrático de direito. Em meio a esse cenário, a Câmara de Vereadores de Arapongas aprovou, de forma unânime, uma moção de apoio à anistia, a ser encaminhada ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados. Essa moção, de autoria do vereador Paulo Grassano (PP) – que, de forma absurda, preside a Comissão de Direitos Humanos –, visa discutir a anistia para os presos decorrentes dos eventos de 08 de janeiro. Contudo, enquanto a nação busca justiça e responsabilização, essa iniciativa levanta sérias dúvidas quanto ao comprometimento dos representantes com a proteção dos direitos fundamentais e da ordem democrática.

Confira abaixo a moção que foi aprovada na sessão da Câmara “Federal” de Vereadores de Arapongas em apoio à Lei de Anistia para os criminosos envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro de 2023

Hipocrisia e Contradição: Grassano em Dose Dupla

O próprio Grassano, que sempre se orgulhou de ser defensor do “Estado mínimo”, surpreende ao defender uma moção que abre espaço para a anistia de criminosos condenados por atentados à democracia. Em seu discurso, ele cita exemplos absurdos – como o de uma pessoa que cuida de sua mãe de 98 anos e participou de atos violentos e dum “amigo” de Londrina, envolvido no ataque do 08 de janeiro, que, preso com tornozeleira eletrônica, não pode se apresentar na Câmara – para ilustrar sua argumentação. Essa retórica só desvirtua o debate, como privilegia interesses de grupos poderosos em detrimento dos pequenos produtores e, sobretudo, ignora a realidade de um sistema carcerário caótico. Grassano, com sua fala rala e hipócrita, ignora que a anistia beneficiaria criminosos que atentaram contra o Estado e desconsidera que muitos presos sofrem em condições indignas, sem julgamento adequado.

A Câmara de Arapongas: Prioridades Desvirtuadas

Enquanto Grassano se aproveita da moção para promover sua agenda – que contradiz seu discurso de Estado mínimo ao exigir bilhões para o agro (quando, na verdade, a agricultura familiar é a verdadeira responsável por alimentar o povo) – a Câmara de Vereadores de Arapongas parece ter esquecido de suas verdadeiras responsabilidades. A Casa, que deveria focar em debates sobre saúde, educação, segurança, cultura e renda, transformou-se na “Câmara Federal de Vereadores de Arapongas”, onde pautas conservadoras e da extrema-direita dominam o ambiente legislativo. Já alertamos em posts anteriores aqui no blog – como o episódio do professor com prisão revogada – que esse cenário é preocupante. Hoje, ao apoiar uma moção de anistia para criminosos do 08 de janeiro, os vereadores demonstram um descompasso profundo com as demandas reais da população, priorizando interesses ideológicos e políticos em detrimento do bem-estar coletivo.

Realidade Carcerária e População Vulnerável

Um tópico que merece especial atenção é o descompasso flagrante entre a preocupação dos vereadores com os condenados pelos ataques e a situação caótica da população carcerária. Enquanto Grassano e seus pares defendem a anistia para indivíduos envolvidos em crimes contra o Estado – ignorando os crimes cometidos contra as instituições democráticas –, a realidade dos presídios brasileiros é ainda mais alarmante. Milhares de presos permanecem encarcerados sem condenação definitiva, muitos em condições subumanas e superlotados, sem acesso a um julgamento justo ou a programas de ressocialização. Essa situação afeta, de forma desproporcional, as camadas mais vulneráveis da sociedade, que já sofrem com a precariedade dos serviços públicos.

A moção de apoio à anistia, portanto, não é apenas um gesto político irresponsável, mas também uma demonstração de descaso com aqueles que estão presos em um sistema falho e carcerário, onde a vulnerabilidade se torna regra.

Um Alerta para o Futuro

Como militante e defensor dos Direitos Humanos, é impossível não denunciar o rumo perigoso que a Câmara de Vereadores de Arapongas está trilhando. A hipocrisia de Paulo Grassano – que defende o Estado mínimo, mas exige subsídios bilionários para o agro e apoia uma anistia que beneficia criminosos – é um sintoma claro de uma política desvirtuada, que favorece interesses escusos em detrimento do povo. A postura da Câmara, ao priorizar pautas conservadoras e negligenciar temas essenciais como saúde, educação, segurança, cultura e a reforma do sistema carcerário, demonstra que o ambiente legislativo está sendo contaminado por uma agenda autoritária e retrograda. É urgente que a sociedade se mobilize para cobrar responsabilidade e priorize a implementação de políticas públicas eficazes, que realmente atendam às necessidades dos cidadãos e protejam os direitos fundamentais, sem abrir brecha para o retrocesso democrático e a exclusão das camadas mais vulneráveis da população.

Moção de Apoio a Lei de Anistia

REQUERIMENTO N° /2025

Senhores (as) Vereadores (as):

O Vereador subscritor do presente, no uso de suas atribuições regimentais, vem ouvido o plenário, requerer à Mesa Diretora o envio de expediente:

Aos Gabinetes das Presidências do Senado Federal e da Câmara dos Deputados para acolher esta Moção como manifestação de vontade da maioria absoluta do Povo de ARAPONGAS/PR mediante deliberação da unanimidade / maioria absoluta de seus representantes legitimamente eleitos.

O Estado democrático de direito tem como fundamentos a presunção de inocência, o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa, conforme disposto nos artigos 5°, incisos LIV, LV e LVII, da Constituição federal. Independentemente de quaisquer juízos políticos ou ideológicos, é essencial que nenhum cidadão seja privado de sua liberdade sem o devido julgamento justo e imparcial, garantido pela constituição e pelos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Há indícios de que muitas das prisões efetuadas foram realizadas de forma coletiva e sem a individualização das condutas, o que pode configurar violação a direitos fundamentais. Ademais a longa duração da prisão preventiva de diversos cidadãos, sem condenação definitiva, gera preocupações quanto ao respeito as garantias fundamentais e ao principio da razoabilidade, elementos essenciais à harmonia e justiça do ordenamento jurídico.

A anistia é um instituto jurídico legitimo e já foi aplicada em momentos históricos relevantes do país, sempre com o objetivo de promover a pacificação nacional e evitar perseguições políticas. Assim, é dever da Câmara Federal avaliar a pertinência da concessão da anistia, analisando criteriosamente os fatos e garantindo que a justiça prevaleça, sem excessos e sem arbitrariedades.

Dessa forma, a Câmara Municipal de Arapongas expressa seu apoio ao parlamento para que o tema seja debatido e deliberado, com respeito ao ordenamento jurídico, garantindo-se os direitos e garantias fundamentais a todos os cidadãos brasileiros.

Solicita-se, portanto, o encaminhamento desta Moção de Apoio aos Presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

Arapongas, 14 de março de 2025.

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