A composição das Comissões Permanentes da Câmara de Vereadores de Arapongas para o biênio 2025/2026 revela muito sobre como a política local encara as reais necessidades da população. E uma das que geraperplexidade é a Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, um órgão técnico que, em teoria, deveria atuar na defesa dos direitos mais básicos da população e na garantia de um convívio seguro e digno.
Composta por Paulo Grassano (PP) na presidência, Simone Sponton (PSD) e Antonio Aparecido Ribeiro dos Santos – Toninho da Ambulância (UNIÃO) como membros, a comissão mais parece um experimento sociológico do que um grupo preparado para entender os dramas do povo araponguense.
O presidente, Paulo Grassano, é um jovem empresário herdeiro, cuja vida parece ter sido moldada muito mais em “administrar empresa da família” do que na observação do cotidiano de quem realmente depende de políticas públicas para sobreviver. Sua visão sobre direitos humanos pode até ser ampla (tenho muitas dúvidas sobre), mas dificilmente passa pela experiência de quem enfrenta filas intermináveis no SUS ou pelo sofrimento de mães que lutam por direitos básicos de seus filhos.
Simone Sponton, por sua vez, chegou à Câmara com o título de “mãe de autista”, um discurso que poderia simbolizar luta e empatia. Mas, até agora, sua atuação parece se limitar ao uso simbólico de sua imagem – uma atuação longe do que se entende e espera de alguém para ocupar uma cadeira na referida comissão, sem aprofundar debates fundamentais sobre inclusão, saúde e educação que a comissão deveria liderar.
Tonho, por fim, é o típico político de assistencialismo raso. Transformou a máquina pública em um instrumento de autopromoção, explorando sua suposta “influência” na área da saúde e apresentando ações como favores pessoais ao cidadão, enquanto questões estruturais como segurança pública, habitação e outros temas relevantes são negligenciados.
Direitos Humanos: entre a teoria e o vazio político
Essa comissão deveria ser o pulmão de debates essenciais para a população mais vulnerável de Arapongas. É a porta de entrada para discussões sobre habitação, saúde mental, violência doméstica e acesso à justiça. Mas como esperar isso de uma composição que parece alheia ao dia a dia de quem realmente sofre? Não é uma crítica à classe social ou ao discurso de meritocracia – que, sejamos sinceros, é uma fantasia brasileira –, mas sim à ausência de vivência e preparo para lidar com os dilemas que essa comissão deveria priorizar.
O impacto dessa desconexão é cruel. Sem representantes capazes de enxergar além do privilégio, os direitos humanos viram apenas um termo bonito para discursos vazios. Enquanto isso, quem depende de políticas públicas continua invisível, carregando sozinho o peso de uma sociedade que deveria ser mais justa e equitativa.
O bom trabalho das comissões, como o próprio presidente da Câmara afirmou, é essencial para a efetividade do Legislativo. Mas como garantir isso com uma Comissão de Direitos Humanos tão desconectada das dores reais da população? Arapongas merece mais. Merece representantes que entendam que direitos humanos não são privilégios, mas a base de qualquer sociedade que se diz civilizada.
Aguarde
Nesta semana, discutirei as composições das comissões permanentes, mas no O Trovão iremos explorar esse assunto de forma mais aprofundada. É importante ressaltar que não se trata de uma crítica pessoal ou de uma disputa de classe, mas sim do perfil técnico e político das pessoas que ocupam cargos que impactam o cotidiano da população. É inaceitável que uma comissão como a de Direitos Humanos, por exemplo, tenha em sua formação nomes que não contribuem para as políticas públicas que impactará nas vidas dos araponguenses.
Comentários sobre a postagem
Aviso sobre comentáriosÉ obrigatório informar nome e e-mail para envio de comentários. Lembre-se de que você é responsável civil e criminalmente pelo conteúdo publicado, incluindo eventuais crimes cometidos. Seus dados serão tratados de acordo com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), sendo preservados conforme as leis em vigor e a Constituição Federal. Ao enviar seu comentário, você concorda com essas condições.