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Paulo Grassano: O Herdeiro que Defende um Estado que Nunca Precisou

É no mínimo intrigante observar o jovem herdeiro milionário, vereador Paulo Grassano (PP), discursar fervorosamente na Câmara Municipal de Arapongas contra a criação de novos cargos e o reajuste de gratificações. Em sua fala, ele defende o conceito de “Estado Mínimo”, uma ideia que, vinda de alguém que nunca precisou dos serviços públicos, soa como uma afronta à realidade da maioria dos cidadãos.

Grassano admite sua origem abastada e uma “educação privilegiada” que, segundo ele, lhe conferiu um senso de responsabilidade financeira. No entanto, essa mesma educação parece tê-lo distanciado das necessidades reais da população que depende diariamente de serviços públicos de qualidade. Defender a redução do Estado sem compreender a importância de um sistema público robusto é, no mínimo, uma demonstração de ignorância ou indiferença.

O vereador questiona como explicaria aos seus eleitores, muitos dos quais vivem com um ou dois salários mínimos, a criação de novos cargos que resultariam em um impacto financeiro de aproximadamente um milhão de reais no primeiro ano. Ora, a verdadeira questão é: como esses trabalhadores, que lutam diariamente para sobreviver, podem se sentir representados por alguém tão distante de sua realidade? Grassano não representa essa camada da sociedade; sua visão elitista e desconectada não atende aos anseios de quem depende de um Estado presente e atuante.

Além disso, ao enfatizar o suposto gasto desproporcional de um milhão de reais, o vereador convenientemente omite que a Câmara Municipal de Arapongas frequentemente economiza e devolve cerca de cinco milhões de reais aos cofres públicos. Isso indica que não há um aumento real de despesas, e que os recursos destinados ao Legislativo estão sendo geridos de forma eficiente. É importante lembrar que o duodécimo, repasse constitucional ao Poder Legislativo, é uma garantia de sua independência e funcionamento adequado. Em Arapongas, esse repasse é feito conforme determina a legislação, assegurando que a Câmara disponha dos recursos necessários para cumprir suas funções.

Grassano também admite sua inexperiência e reconhece que o projeto de lei em questão possui elementos necessários. No entanto, ele opta por votar contra, alegando fidelidade aos seus princípios. É válido questionar se essa postura inflexível realmente serve aos interesses da população ou apenas reforça uma agenda pessoal desconectada das necessidades reais do município.

Em suma, o discurso de Paulo Grassano evidencia uma falta de compreensão das complexidades da administração pública e das necessidades da população que ele deveria representar. Sua defesa de um “Estado Mínimo” ignora as desigualdades sociais e a importância de serviços públicos fortes e eficientes. É fundamental que os representantes eleitos estejam alinhados com as realidades e demandas de seus eleitores, e não presos a ideologias que servem apenas a uma minoria privilegiada.

Confira os detalhes da sessão que abordou as gratificações e o aumento de cargos na Câmara Municipal de Vereadores de Arapongas. Ouça as declarações do jovem vereador e tire suas próprias conclusões.

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