Ontem (01) completei mais um ano de vida, sem festa, bolo ou vela. Não por desgosto ou melancolia, mas porque nunca vi sentido em comemorar menos um ano de vida. O tempo passa, a lista de absurdos cresce e eu fico aqui, olhando para o caos e pensando: até quando?
A água voltou, mas não voltou de verdade. O racionamento continua, e Arapongas segue na incerteza. Não foi seca, foi incompetência. Mas tudo bem, né? Se tem uma coisa que sobra por aqui, é paciência da população para aguentar desculpas esfarrapadas.
Enquanto o banho tem que ser rápido, a Câmara de Vereadores decidiu que a criação de seis novos cargos precisava ser ainda mais veloz. Sessão relâmpago e pronto, cargos aprovados. E olha que todo ano a Câmara devolve milhões ao município porque “sobrou dinheiro”. Mas gastar um milhão para melhorar os serviços é problema? Se for para agilizar e atender melhor o povo, que criem mesmo. Mas e se for só para acomodar apadrinhado? Aí não é gestão, é esquema.
E no meio desse circo, tem jovem vereador, herdeiro milionário, falando de Estado Mínimo. Logo ele, que nunca precisou do SUS, nunca andou de ônibus apertado, nunca esperou três meses por um exame. Falar em cortar Estado quando se vive cercado de privilégios é fácil. Difícil é viver na pele o que significa depender de um governo ausente.
Enquanto isso, no Congresso Federal, eleição de novas lideranças. O jogo continua o mesmo, só mudam algumas peças. Lula que se prepare, porque negociar com esse pessoal é como tentar pegar sabão molhado. Mas esse problema é dele. Eu tenho que me preocupar é com a água que mal dá para um banho decente e com vereador querendo brincar de CEO da administração pública.
O tempo passa e o teatro da política segue firme. E eu? Eu sigo apagando mais um ano da minha existência e esperando o próximo absurdo. Porque se tem algo que nunca racionam em Arapongas, é a capacidade de testar a paciência da gente.
