A população de Arapongas enfrentou, neste final de semana, mais uma interrupção no abastecimento de água, desta vez atribuída a falhas elétricas sob responsabilidade da Copel. Segundo a Sanepar, o problema comprometeu a captação de água devido às fortes chuvas, deixando milhares de pessoas sem um serviço básico. Até agora, não há previsão de normalização.
Esse episódio não é apenas um caso isolado de falha operacional, mas um reflexo de um modelo de gestão que prioriza o lucro sobre o bem-estar coletivo. A privatização ou concessão de serviços públicos, como saneamento e energia, tem demonstrado repetidamente suas fragilidades. Empresas que deveriam atuar em prol do interesse público acabam focadas em eficiência econômica que, na prática, se traduz em cortes de custos, negligência e um serviço precário para a população.
A Sanepar, hoje uma empresa de economia mista, opera com interesses que vão além do atendimento básico. E, quando somamos isso à incapacidade de outras empresas privatizadas, como a Copel, de solucionar problemas rapidamente, vemos uma engrenagem que falha nas situações mais críticas. Afinal, como confiar que serviços tão essenciais estejam seguros nas mãos de quem prioriza acionistas e metas financeiras?
O debate aqui vai além da falta d’água. Estamos falando de um modelo que transforma necessidades humanas em mercadoria. Luz, água, transporte – tudo vira negócio, enquanto a população fica refém de falhas e da burocracia. É imperativo que haja uma revisão no modelo de gestão desses serviços. Sem regulação eficaz e sem priorizar o bem-estar da população, continuaremos a enfrentar crises que só escancaram o descaso com o que deveria ser um direito garantido.
O caso de Arapongas é um alerta. Privatizar serviços essenciais não é sinônimo de eficiência, mas de risco. E quem paga o preço somos todos nós.
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