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Caso Grassano – contratos e pregão em disputa

Mesa com documentos de empenho, celular com conversas, chaves e caneta ilustrando o Caso Grassano, contratos e pregão

As respostas do vereador Paulo Grassano e do prefeito Rafael Cita, analisadas à luz de documentos oficiais, depoimentos e decisões já conhecidas no Caso Grassano, mostram versões diferentes sobre a participação do parlamentar em contratos do núcleo familiar com o município e sobre o pregão das oficinas mecânicas. A seguir, explicamos como essas versões se encaixam no que já está registrado em atas, vídeos e registros públicos.

As respostas recentes do vereador Paulo Grassano e do prefeito Rafael Cita abriram uma nova fase do Caso Grassano – contratos e pregão. Pela primeira vez, os dois falam de forma detalhada sobre o pregão das oficinas, sobre os contratos das empresas da família do vereador e sobre a aplicação da Lei Orgânica do município. Essas falas ajudam a entender como cada um enxerga o que aconteceu e quais pontos ainda geram dúvida para a população.

Analisamos as declarações com base em documentos já publicados, nas oitivas da Comissão de Ética, registros da Câmara e informações sobre os contratos da SS Barcar e sobre a tentativa de participação da empresa Levara no pregão. Dessa forma, a seguir mostraremos, em ordem lógica, como as versões de cada um se aproximam ou se afastam do que já está registrado. Além disso, aponta onde ainda faltam provas concretas.

Até o fechamento desta matéria, a vereadora Simone Almeida recebeu questionamentos sobre as menções feitas a ela, mas ainda não respondeu. Por isso, focamos apenas nas respostas de Paulo Grassano e Rafael Cita, sem interpretar ou antecipar qualquer posição da vereadora.

Caso Grassano contratos e pregão: envelopes, veto e diferença de leitura

No centro do Caso Grassano – contratos e pregão está o pregão das oficinas mecânicas. Naquele dia, o vereador chegou ao setor de licitações com envelopes de habilitação da empresa Levara, registrada em seu nome. Ele próprio admite esse fato:

“Diego me disse que eu não poderia pois estava no nome, ai então fomos na sala do Prefeito”, afirma Grassano.

O procurador municipal, Diego, já tinha contado esse episódio à Comissão de Ética. Ele relatou que chamou o vereador para uma sala separada e explicou o impedimento previsto na Lei Orgânica Municipal. Segundo o procurador, o vereador recuou e retirou os envelopes minutos antes do início do pregão. Portanto, dois pontos se confirmam: houve alerta jurídico e houve retirada dos documentos.

A diferença aparece quando cada um descreve a conversa com o prefeito. Grassano diz que ouviu a seguinte orientação: a lei de licitações permitiria a participação e ele poderia entrar com uma empresa no nome dos pais. Já o prefeito rejeita essa leitura. Ele afirma:

“A lei de licitações não proíbe a participação de empresa de vereador na licitação. O que proíbe é a lei orgânica. Não é fraude a licitação. É infração a lei orgânica, infração de caráter de natureza política jurídica.”

Além disso, Cita reforça:

“Eu fui direto e reto. Eu jamais sugeri burlar.”

Na prática, a fala do prefeito aponta que a regra decisiva não é a lei federal, mas sim a Lei Orgânica de Arapongas, que proíbe vereador de contratar com o município. Assim, o episódio do pregão se mostra como o momento em que a tentativa do vereador de disputar o contrato esbarra em um veto com base na legislação local, o que marca um ponto-chave do Caso Grassano – contratos e pregão.

SS Barcar: contratos, valores e cobrança de faturas

Outro ponto importante envolve a empresa SS Barcar, ligada à família do vereador. Grassano afirma que o procurador Diego teria dito que “a empresa não teria problema em participar de dispensas de licitação, por ser a única a prestar certos serviços de garantia na cidade”. Ele cita também um contrato envolvendo dois veículos. Segundo o vereador, o procurador teria dito que “não havia impedimento porque a empresa não estava em seu nome”.

Porém, os dados do Portal da Transparência mostram uma realidade mais ampla. Aparecem 28 empenhos relacionados à SS Barcar e uma Ata de Registro de Preços no valor de R$ 250 mil. Esses números indicam uma sequência de contratos e um montante acima de pequenos atendimentos pontuais.

A discussão principal, no entanto, não fica apenas nos valores. Ela se concentra no papel do vereador em relação a esses contratos. O próprio Grassano escreve:

“Como eu disse, eu trabalho na empresa e faço o que precisar e então fiz uma cobrança mesmo pois a prefeitura estava demorando para fazer pagamento. Nao vejo nenhum problema, já que não houve interferência nenhuma.”

O secretário de Administração, Gabriel Esper, confirmou, em depoimento, que recebeu mensagens diretas do vereador cobrando pagamento de faturas da SS Barcar. Quando se junta esse relato com a confissão de que ele “trabalha na empresa” e “faz o que precisar”, fica claro que o vereador atua, na prática, dentro do negócio da família, mesmo enquanto exerce o mandato.

A Lei Orgânica não trata apenas de contratos no papel. Ela menciona a “direção de fato” de empresa que mantém relação comercial com o poder público. Por isso, a combinação de três elementos – empresa da família contratada, atuação ativa do vereador dentro da empresa e cobrança direta de faturas ao Executivo – se aproxima justamente da situação que a lei pretende evitar no contexto do Caso Grassano – contratos e pregão.

Aravel, procuração e atuação prática

A resposta de Grassano também aborda a situação da concessionária Aravel. Ele afirma que se afastou formalmente das empresas em agosto de 2024 e que o faturamento com a prefeitura em 2025 teria sido de R$ 19 mil. Quando questionado sobre documentos de janeiro de 2026 que trazem sua assinatura em transferências de veículos, ele explica:

“Sobre a transferência de veículos, como meu pai viaja e meu irmão fica bastante na fabrica de moveis, eu tenho uma procuração para assinar (…) isso não tem nada de errado por isso continuei fazendo.”

Essa explicação mostra que, embora o nome dele tenha saído do contrato social, ele continuou assinando transações comerciais em 2026 com base em procuração. Em outras palavras, a ligação prática com a empresa permaneceu. Isso importa porque a Lei Orgânica não se limita ao registro formal na Junta Comercial; ela também observa quem manda, decide ou assina na rotina da empresa.

Somando essa informação com o fato de que ele mesmo diz que “trabalha na empresa” e “faz o que precisar”, o quadro aponta para uma atuação contínua nos negócios da família durante o mandato. Na linguagem jurídica, esse é o tipo de situação que costuma ser chamada de “direção de fato” e aparece como ponto sensível dentro do Caso Grassano – contratos e pregão.

Justiça, liminares e o que permanece em aberto

Sobre as liminares que travaram o andamento do processo de cassação, o vereador diz que buscou o Judiciário para garantir o cumprimento das regras internas da Câmara. Ele resume assim:

“Sobre ir na justiça eu fui para provar que eles passam por cima de regras criadas por eles mesmo na tentativa de cassação (…) fui mesmo não na tentativa de não investigar, pois já havia sido, mas na intenção de que eles respeitem as regras.”

As decisões judiciais, já conhecidas, focaram em assuntos de forma: rito, quórum e procedimentos. Elas suspenderam os passos da Comissão Processante, mas não mudaram o conteúdo dos contratos, das mensagens e dos depoimentos. A Justiça não declarou que os fatos não existiram; apenas apontou problemas na forma como a Câmara tocou o processo político.

O prefeito destaca justamente essa diferença. Ele afirma:

“O que eu fiz, assim como o Diego, foi alertar ele que a participação dele poderia gerar problemas com a Lei Orgânica, com relação a Lei de Licitação ele poderia participar, o pai dele pode participar, quem quiser pode participar, é aberto.
Isso aí seria (é) contraditório. Os dois depoimentos dele na delegacia e com as manifestações dele em plenário, não é por aí não.”

Na avaliação de Cita, o discurso do vereador mudou. Em plenário e na delegacia, Grassano se colocou como alvo de uma farsa e negou ligação com os contratos. Em resposta, ele admite ter procuração ativa em 2026, admite ter ido ao pregão com envelopes da Levara e admite cobrar pagamentos da SS Barcar. As duas posturas, segundo o prefeito, não combinam entre si, o que reforça a tensão política em torno do Caso Grassano.

Acusações sem documentos apresentados e limites da apuração

Nas respostas enviadas, o vereador também reforça acusações contra o procurador da Câmara, Marcus Vinícius, e contra o ex-prefeito Sérgio Onofre. Ele afirma, de forma categórica, que “tem documentos que sustentam que o procurador teria participado da elaboração da denúncia e utilizado indevidamente o IP da Câmara”. Da mesma forma, Grassano diz que possui áudios, prints e registros que mostrariam uma postura do ex-prefeito de tentar intimidar e acuar pessoas no contexto do processo de cassação.

No entanto, até o momento, esses documentos não foram apresentados de forma acessível para conferência pública nem constam, com validação técnica conhecida, nos materiais que a reportagem consultou. Em relação ao ex-prefeito, buscamos buscar contato com a assessoria de Sérgio Onofre para pedir manifestação sobre a acusação feita pelo vereador. Até o fechamento desta matéria, obtivemos a resposta que o ex-prefeito encontra-se em Curitiba e assim que chegar teremos uma posição.

Sem esses documentos disponíveis, as falas de Grassano permanecem no campo das alegações de defesa. Elas fazem parte da narrativa do vereador, mas não alcançam o mesmo grau de comprovação de contratos, empenhos, atas e vídeos já anexados a processos e relatórios oficiais. Dentro dos critérios editoriais de O Trovão, essa distinção precisa ficar clara para o leitor do Caso Grassano – contratos e pregão.

Enquanto isso, alguns elementos permanecem firmes:
– contratos da SS Barcar com o município;
– tentativa de participação da Levara no pregão;
– alerta do procurador com base na Lei Orgânica;
– presença ativa do vereador nas empresas da família;
– cobrança direta de faturas a secretários. 

Portanto, é sobre esse conjunto, já documentado, que se concentra hoje a discussão institucional sobre possível infração à Lei Orgânica no Caso Grassano contratos e pregão.


O que está em jogo no Caso Grassano

1. O que é a Lei Orgânica Municipal?
É uma espécie de “Constituição” do município. Ela define regras para o prefeito, os vereadores e a estrutura da cidade. Entre essas regras, está a proibição de que vereador dirija, de fato, empresa que faz contratos com a prefeitura.

2. Qual é o papel das empresas da família do vereador?
Empresas ligadas ao núcleo familiar de Paulo Grassano prestaram serviços ao município. Há registros de contratos, empenhos e uma ata de registro de preços. O ponto discutido não é apenas o contrato em si, mas a participação ativa do vereador no dia a dia dessas empresas.

3. O que aconteceu no pregão das oficinas?
O vereador chegou com envelopes da empresa Levara para disputar o contrato. O procurador alertou sobre a proibição na Lei Orgânica. Depois disso, os envelopes foram retirados e o pregão seguiu sem a participação da empresa em nome do vereador.

4. Por que as mensagens de cobrança importam?
O vereador admite que cobrou pagamentos da prefeitura em nome da empresa da família. Quando um vereador usa seu peso político para tratar de faturas de um negócio próprio ou familiar, isso ultrapassa a fiscalização normal e se aproxima de uso do cargo para benefício privado.

5. O que falta comprovar nas acusações?
Grassano diz que tem documentos que mostrariam má-fé do procurador e ameaças do ex-prefeito. Porém, esses materiais ainda não foram apresentados de forma pública ou com validação técnica conhecida. Sem isso, essas acusações permanecem como versões do vereador, e não como fatos comprovados.

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