No dia em que o Brasil celebrava os 93 anos da conquista do voto feminino, os vereadores de Arapongas, Norte do Paraná, Alexandre Juliani (União) e Paulo Grassano (PP), aprovaram uma moção de apoio a um projeto de lei que visa proibir o aborto em qualquer circunstância. Essa ação não apenas ignora as complexas realidades enfrentadas pelas mulheres, mas também evidencia a hipocrisia e o conservadorismo enraizados em nossa sociedade.
Alexandre Juliani, conhecido como “vereador sorriso”, e Paulo Grassano, o “herdeiro milionário”, parecem distantes das dificuldades que a população vulnerável enfrenta diariamente. Recentemente, o jovem herdeiro apresentou uma lei, já aprovada, que institui a campanha “CONSTRUA FUTUROS, NÃO SUSTENTE PASSADOS“, que, sob o pretexto de conscientização, desencoraja a prática de dar esmolas. Essa medida, criticada por seu caráter higienista, demonstra uma falta de empatia e compreensão das reais necessidades dos menos favorecidos.
A contradição torna-se ainda mais evidente quando esses mesmos vereadores, homens privilegiados, buscam legislar sobre o corpo e as escolhas das mulheres. A tentativa de proibir o aborto em todas as hipóteses desconsidera contextos como estupro, risco de vida para a gestante ou fetos com anomalias incompatíveis com a vida. Especialistas em saúde pública e direitos humanos apontam que a criminalização total do aborto não reduz sua ocorrência, mas aumenta os riscos, levando mulheres a procedimentos clandestinos e inseguros.
É alarmante que, em pleno século XXI, homens em posições de poder ainda tentem ditar regras sobre questões que não vivenciam e das quais não possuem entendimento pleno. Essa postura reforça a cultura patriarcal, onde decisões sobre o corpo feminino são tomadas sem a devida participação das mulheres. Além disso, ao aprovarem tal moção logo após o aniversário do voto feminino, demonstram uma insensibilidade histórica, ignorando décadas de luta por igualdade e autonomia.
A hipocrisia conservadora se manifesta quando setores da sociedade promovem agendas restritivas, desconsiderando movimentos opostos, como o feminista, que luta pela liberdade e direitos das mulheres. Ao invés de dialogar e considerar perspectivas diversas, esses vereadores optam por impor suas visões limitadas, perpetuando desigualdades e injustiças.
É imperativo questionar: por que indivíduos que nunca enfrentarão uma gravidez indesejada ou as complexidades de uma gestação de risco sentem-se no direito de legislar sobre tais questões? A resposta reside em uma estrutura social que ainda privilegia vozes masculinas e abastadas, em detrimento das experiências e necessidades reais das mulheres.
Em uma sociedade verdadeiramente democrática, é essencial que as decisões sobre direitos reprodutivos sejam informadas por evidências científicas e pela vivência das mulheres. Somente assim poderemos avançar rumo a uma realidade mais justa e equânime, onde políticas públicas reflitam as demandas e direitos de todos os cidadãos, independentemente de gênero ou classe social.
Para aprofundar sua compreensão sobre a história do voto feminino no Brasil e refletir sobre os desafios atuais, assista ao vídeo abaixo: