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Política pública em Arapongas: horta comunitária

Moradores trabalham em horta comunitária em escola de Arapongas, fortalecendo vínculo social e produção sustentável

Na Escola Municipal Diomar Pegorer, em Arapongas, uma tarde de trabalho coletivo revelou algo que vai além da agricultura orgânica: revelou o que acontece quando o Estado decide, de fato, estar presente, fomentar política pública em através de horta comunitária.

A oficina de horta comunitária reuniu pais, mães, vizinhos, estudantes e representantes de diferentes instituições em torno de um espaço que, até então, estava abandonado. Ao final do dia, aquela horta estava recuperada, estruturada e pronta para produção. Mas o que ficou de mais importante não coube em nenhum canteiro.

Quando o recurso público volta para quem o sustenta

A premissa que orientou toda a ação é direta e politicamente clara.

“O dinheiro do Estado tem que ser revertido para a população. E é isso que está acontecendo aqui hoje. Uma empresa pública que não leva lucros para os seus acionistas — está revertendo tudo isso direto à população. Assim que têm que ser as políticas públicas.”

Essa afirmação não é retórica. Ela estabelece um critério de julgamento: empresas públicas existem para devolver à sociedade, em forma de ação concreta, aquilo que a própria sociedade sustenta. Nesse sentido, a atuação da iItaipu Binacional na região representa uma escolha — a de que recurso público precisa gerar retorno social mensurável, não apenas resultado financeiro.

Além disso, quando há direção e articulação, o recurso deixa de ser apenas orçamento e passa a se transformar em presença concreta no território.

A escola que vai até a comunidade

Um dos pontos mais significativos da experiência foi o papel assumido pela escola. Durante muito tempo, consolidou-se a ideia de que cabe à família buscar a instituição de ensino. A experiência da Diomar Pegorer inverte essa lógica.

“A escola tem que estar à disposição da comunidade. A comunidade precisa saber que a escola existe e estar participando.”

Quando isso acontece de forma concreta, o espaço escolar deixa de ser apenas institucional e passa a funcionar como ponto de encontro, aprendizado e pertencimento.

A diretora Mari Castili reforçou esse sentido ao avaliar o resultado:

“A Itaipu nos proporcionou isso: essa parceria, essa união — pessoas diferentes, todo mundo junto, aprendendo um pouquinho mais sobre sustentabilidade, sobre a necessidade da horta na escola, que também se amplia para uma alimentação saudável.”

Ou seja, o espaço físico transformado foi apenas o ponto de partida. O vínculo construído entre escola e comunidade é o que sustenta a continuidade.

Política pública se constrói com diálogo — e com quem está no território

A experiência também deixa evidente que nenhuma política pública consistente nasce do isolamento. Ao contrário, ela exige diálogo permanente entre poder público, sociedade civil, iniciativa privada e comunidade.

Samira Messias, coordenadora do Núcleo de Cooperação Socioambiental da Itaipu para a região Norte do Paraná, sintetizou esse caminho:

“A Itaipu está ouvindo as pessoas para promover um desenvolvimento real do território. Quanto mais pessoas, melhor. Quanto mais instituições no nosso núcleo, melhor — para que a representação seja grande e atuante.”

Nesse sentido, o acerto está na escuta e na construção coletiva. Não se trata de levar soluções prontas, mas de construir caminhos com quem vive a realidade.

Leandro Poretti, da Ceres Agroconsultoria, parceira da Itaipu Parquetec, trouxe a dimensão prática dessa articulação:

“Transformamos uma horta que estava antiga, um pouco abandonada, em uma horta em perfeitas condições, com sombrite para que as hortaliças não sofram das temperaturas — pronta para produção, para que a escola possa produzir alimentos para os alunos e professores.”

Por consequência, o território passa a acumular não apenas estrutura, mas capacidade, conhecimento e organização.

Participantes constroem horta comunitária em escola de Arapongas com apoio de políticas públicas e ação coletiva.
Ação coletiva no território: comunidade, formação e política pública acontecendo na prática em Arapongas

O papel dos agentes que multiplicam

Outro aspecto que se destacou foi o potencial de multiplicação gerado pela própria comunidade. A diretora da escola descreveu esse movimento com clareza:

“Eles adoraram. Amaram o que aprenderam aqui hoje. Trouxeram também novas técnicas para nós — nós agregamos tudo isso aqui na Horta do Futuro. Foi um dia muito produtivo, muito gostoso.”

Isso revela um ponto central: quando a política pública gera identificação, ela não termina na ação — ela continua nas pessoas.

Cada participante se torna um ponto de expansão, levando conhecimento, prática e novas possibilidades para outros espaços da cidade.

Além disso, Arapongas já começa a se conectar com outras iniciativas articuladas pela Itaipu, como ações com abelhas nativas, oficinas culturais e processos de formação ambiental. Ao mesmo tempo, essas ações não caminham isoladas — elas se reforçam e constroem continuidade.

Presença, articulação e resultado

Experiências como essa deixam evidente que transformação não acontece à distância. Ela exige presença, escuta qualificada e capacidade de articulação entre diferentes setores.

É nesse ponto que o trabalho ganha consistência: quando há diálogo com o poder público, aproximação com a sociedade e construção conjunta de soluções viáveis.

E é justamente nesse espaço — entre a escuta e a ação — que resultados concretos começam a aparecer.

Quando a política cria raiz

A horta comunitária da Escola Diomar Pegorer é, ao mesmo tempo, produção de alimento, educação ambiental, fortalecimento de vínculos e organização social.

Ela mostra que política pública eficaz não precisa de espetáculo — precisa de direção, participação e continuidade.

Como reconheceu Leandro Poretti ao encerrar a atividade:

“Todo esse ambiente de transformação e mudança é muito amplo.”

E é mesmo.

Porque quando a política cria raiz, ela deixa de ser promessa — e passa a ser presença.

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