Menos de dez minutos bastaram para tentar encerrar um dos casos mais sensíveis da política recente de Arapongas. Fora do plenário, porém, os documentos contam uma história muito diferente — e muito mais grave.
O relatório técnico que fundamenta o “Caso Grassano em Arapongas – contratos e conflitos” expõe um padrão de decisões administrativas que une função pública, atividade econômica familiar e possível conflito de interesses.
Os números não deixam margem para dúvida
Empenhos identificados
28
Declarado pelo vereador
R$ 19 mil
Valor nos documentos
R$ 250 mil
O núcleo do problema: Caso Grassano em Arapongas – contratos e vínculos familiares
Entre fevereiro de 2023 e abril de 2024, período em que o então secretário exercia função pública, foram identificados 28 empenhos direcionados a empresas com vínculo familiar. As empresas operam no mesmo endereço e no mesmo setor de atuação do gestor.
Portanto, essa coexistência entre cargo público e atividade econômica familiar é o centro do problema. Contudo, não se trata de coincidência. Trata-se de um padrão documentado e respaldado por registros oficiais.
Os dados apontam que as decisões administrativas favoreceram sistematicamente o mesmo núcleo familiar. Isso levanta questões sérias sobre a integridade dos processos de contratação pública em Arapongas.
O relatório não faz afirmações sem base documental. Cada empenho, cada contrato e cada decisão estão registrados. Essa documentação é o que impede qualquer tentativa de reduzir o caso a uma votação de dez minutos.
Caso Grassano em Arapongas: A mudança societária que não mudou nada
Em agosto de 2024, o vereador formalizou sua saída da empresa familiar. No lugar, entrou o irmão. Entretanto, a alteração foi registrada — mas os contratos com o poder público não pararam. Pelo contrário, aumentaram.
Apesar disso, essa movimentação levanta uma questão central: a saída formal representou ruptura real com o interesse privado, ou apenas uma troca de nome que manteve os mesmos benefícios financeiros para a mesma estrutura?
Contudo, a continuidade e o crescimento dos contratos após a alteração societária reforçam o padrão já identificado. O fluxo de recursos públicos para a mesma estrutura familiar seguiu sem interrupção efetiva.
R$ 250 mil, uma rescisão e uma declaração que não fecha
Já no exercício do seu mandato como vereador eleito, foi formalizada a Ata de Registro de Preços (ARP) nº 425/2025, no montante de R$ 250 mil. Curiosamente, essa formalização se deu com uma empresa ligada ao seu círculo familiar, e a celebração do contrato ocorreu mesmo após uma alteração em sua composição societária.
Isso não é interpretação. É fato registrado em documento público: no mesmo dia da denúncia formal, houve pedido de rescisão do contrato de R$ 250 mil.
A contradição entre discurso e números agrava o cenário. O vereador declarou R$ 19 mil em contratos com o poder público. Os documentos apontam R$ 250 mil. A diferença é superior a 1.200% — e exige explicação pública. Afinal, isso não cabe em dez minutos de plenário.
Esta reportagem integra a série “Caso Grassano em Arapongas”.
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