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Esqueceram do 31 de março

Camara de Vereadores de Arapongas, onde realiza as sessões.

Em várias postagens aqui no blog sobre a atuação da atual legislatura da Câmara Municipal de Arapongas, usei a palavra hipocrisia. Confesso que tentei aposentá-la, mas diante do que aconteceu essa semana, fica impossível. O 31 de março passou e nem um pio dos nobres edis araponguenses sobre a fatídica data. Mas sobre a anistia para terroristas do 8 de janeiro, ah, aí a unanimidade foi garantida.

Vamos lá: os mesmos defensores da “vida” (só até o nascimento), os cruzados do “contra o aborto”, os moralistas de plantão, simplesmente ignoraram uma data que marca um dos períodos mais sombrios da história recente do Brasil. O golpe empresarial-militar de 1964 não só destruiu vidas humanas com torturas, assassinatos e exílios, como também detonou a economia, ampliando o abismo social que segue firme até hoje. Mas claro, para eles, lembrar disso não rende voto nem likes em grupos de zap.

O silêncio ensurdecedor dos vereadores contrasta com a pressa em defender aqueles que tentaram rasgar a Constituição em 8 de janeiro. Terroristas que depredaram patrimônio público, atentaram contra a democracia e pediram um novo golpe militar são tratados como “cidadãos de bem perseguidos”. Já as vítimas da ditadura? Essas que sigam esquecidas, né?

Por outro lado, é justo fazer um registro: em meio a essa turma de figurantes, o vereador Arnaldo do Povo (AVANTE) tem se mostrado o mais coerente. Não é que seja perfeito, mas pelo menos levanta questões relevantes. Nessa última sessão (31), fez duas falas importantes: primeiro, questionou o impacto de uma lei sobre o “Programa Jovem Aprendiz” para autistas, alertando sobre possíveis perdas em benefícios sociais. Com uma vida dedicada ao INSS, ele sabe o que fala. Segundo, denunciou o gasto absurdo de quase um milhão de reais com shows de aniverásio da cidade, enquanto artistas locais são esquecidos. Concordo: com esse dinheiro, dava para fomentar a cultura araponguense o ano todo, mas preferem o velho e caduco “pão e circo“.

No fim das contas, tudo isso só confirma o que venho dizendo há tempos: a política em Arapongas segue refém da mediocridade. Ignorar a história e proteger autoritários não é só burrice, é um perigo real. Estamos vendo os sinais claros de que certos “nobres” querem repetir os erros do passado. Fica o alerta.

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