Os documentos analisados do Caso Grassano em Arapongas começa com uma pergunta objetiva: é possível exercer função pública e, simultaneamente, manter vínculos econômicos com empresas que contratam com o poder público? A resposta dos documentos analisados é categórica — e preocupante. Para entender a base desta investigação, leia o dossiê completo sobre o Caso Grassano em Arapongas: contratos e conflito .”
Entre fevereiro de 2023 e abril de 2024, enquanto o então secretário ocupava cargo na prefeitura de Arapongas, analisamos documentos oficiais e foi indentificados 28 empenhos direcionados a empresas com endereço e setor idênticos ao do gestor. Portanto, não se trata de coincidência isolada. Trata-se de um padrão sistemático, registrado e rastreável em documentos públicos.
Em agosto de 2024, o então recente ex-Secretário Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda,1 formalizou sua saída da empresa familiar2. No lugar, entrou o irmão. No entanto, os contratos com o poder público não pararam. Ao contrário, cresceram. A mudança societária alterou o nome no registro, mas não interrompeu o fluxo de recursos públicos para a mesma estrutura familiar3.
Já na condição de vereador eleito, a empresa do grupo familiar assinou com o município a Ata de Registro de Preços 425/2025, no valor de R$ 250 mil4. No entanto, no dia exato da denúncia formal, houve pedido de rescisão do contrato.
Vejam mais: Caso Grassano em Arapongas: contratos e conflito
Esse dado não é interpretação — é fato documentado.
A contradição entre discurso e documentos agrava ainda mais o quadro. O vereador declarou publicamente R$ 19 mil em contratos com o poder público. Os registros oficiais apontam R$ 250 mil. A diferença supera 1.200% — e exige resposta pública, não dez minutos de plenário.
Por fim, o Caso Grassano Arapongas contratos não se sustenta em interpretações políticas. Ele se apoia em registros públicos que indicam um padrão claro entre interesse privado e decisão pública. Portanto, a questão central não é partidária. É institucional — e atinge diretamente a confiança da população nas estruturas de governo de Arapongas.
Esta publicação abre uma série investigativa. Os próximos episódios vão aprofundar os vínculos societários, os fluxos de recursos e as decisões administrativas que sustentam esse padrão. O espaço para manifestação do vereador Arnaldo do Povo permanece aberto.
Comprometimento com o interesse público: todos os dados utilizados nesta série têm base documental. Nenhum fato foi inventado ou exagerado juridicamente.
Esta reportagem integra a série “Caso Grassano em Arapongas”.
Leia também a análise do parecer: Parecer de Arnaldo do Povo tenta barrar investigação
- Exoneração: Ocorreu em 03 de abril de 2024, a pedido, para fins de pretensões políticas.
Atuou como Secretário por aproximadamente 1 ano 1 mês 19 dias. ↩︎ - Paulo Grassano retirou-se do quadro societário, sendo substituído por seu irmão, Pedro Grassano Barros de Carvalho.
Esta alteração ocorreu aproximadamente 60 dias antes do prazo para registro de candidatura eleitoral. ↩︎ - Vínculos Remanescentes: Ele permanece como proprietário da empresa Levara Serviços e Manutenção de Veículos Ltda, que opera no mesmo endereço físico do grupo (Rua Andorinhas, 88). Além disso, há indícios de controle de fato, como postagens em redes sociais onde ele se identificava como “Diretor Aravel” em datas posteriores ao afastamento formal ↩︎
- A Ata de Registro de Preços nº 425/2025 tornou-se o epicentro de uma crise ética no Município de Arapongas. O documento, assinado em 25 de junho de 2025, formalizava o compromisso da prefeitura em adquirir veículos da empresa SSBARCAR Veículos Ltda., pertencente à família do vereador Paulo Grassano.
O Objeto e Valores: A ata previa a aquisição de dois veículos tipo picape (Renault) para a Secretaria Municipal de Saúde, com valor unitário de R$ 125.000,00, totalizando um potencial de gasto de R$250.000,00
Conflito de Interesses: O ponto crítico reside no fato de a empresa ser controlada pelo pai de Paulo Grassano (Sergio Barros de Carvalho), enquanto o próprio Paulo exercia mandato de vereador. Documentos apontam que ele se retirou formalmente da sociedade apenas em 01 de agosto de 2024, pouco antes das eleições.
A Rescisão “Relâmpago”: Após denúncias de favorecimento e “sócio oculto”, a empresa protocolou um pedido de rescisão amigável em 27 de agosto de 2025. A justificativa oficial foi preservar a imagem da administração pública diante de “questionamentos políticos”.
Inconsistência de Dados: Embora o vereador tenha declarado publicamente valores menores em plenário, o lastro orçamentário da ARP (junto a outros contratos vigentes) demonstrava uma movimentação financeira muito superior. ↩︎






