Hoje é 31 de março. Para alguns, uma data qualquer. Para outros, um dia de luto. E, claro, para um bando de ignorantes e saudosistas da truculência, um dia de “comemoração”. Em 1964, tanques ocuparam Brasília, a democracia foi esmagada e o Brasil entrou numa das suas fases mais sombrias. O golpe militar deu início a 21 anos de censura, tortura, mortes e perseguições. Mas o que mais assusta não é o passado em si – é o presente. Sim, porque em 2025 ainda tem gente que defende esse horror.
É como se ignorassem os dados históricos. Durante a ditadura, mais de 400 pessoas foram mortas ou desapareceram, cerca de 1,6 mil camponeses exterminados, milhares foram presas arbitrariamente, e a censura calou artistas, jornalistas e intelectuais. A economia? Um desastre mascarado por um “milagre” que, na prática, endividou o país por décadas. Mas, claro, os entusiastas da farda gostam de contar apenas a versão romantizada do regime: “naquela época não tinha corrupção” – mentira deslavada, basta lembrar do escândalo da Ponte Rio-Niterói e das negociatas bilionárias do governo militar.
E como estamos hoje? O Brasil viu a extrema-direita sair das sombras e, com ela, uma onda de revisionismo histórico. O discurso autoritário voltou a ganhar força, alimentado por políticos, influenciadores e até vereadores de cidades do interior que insistem em defender o indefensável. Em Arapongas, por exemplo, a Câmara Municipal já protagonizou episódios grotescos, como o repúdio à fala do presidente Lula contra o genocídio palestino e falas que relativizam a morte de crianças. Se num parlamento municipal a coisa já está assim, imagine o que fariam se tivessem o poder nas mãos?
Os mesmos que querem nos empurrar de volta para a escuridão militarista são os que bradam contra a democracia, espalham fake news e tentam minar as instituições. Defendem intervenção militar como se fosse solução mágica, mas esquecem (ou fingem esquecer) que toda ditadura precisa de um inimigo, e esse inimigo pode ser qualquer um: o jornalista que expõe verdades, o professor que ensina história real, o trabalhador que reivindica direitos.
Por isso, lembrar o golpe de 1964 não é reviver o passado – é impedir que ele se repita. Não há espaço para saudosismo de ditador, para golpe travestido de “intervenção”, para discurso autoritário disfarçado de patriotismo. Ditadura nunca mais!