É inadmissível que, em pleno século XXI, Arapongas se torne palco de desastres e descaso, expondo os cidadãos à constante ameaça de acidentes fatais. O bairro Bem Viver, implantado em área isolada e sem acesso seguro ao centro, é a prova viva da irresponsabilidade dos vereadores que aprovaram a cessão de terreno para a construtora. Esse ato, aliado à conduta do ex-prefeito — responsável pela inauguração da primeira etapa — e do atual, que novamente validou esse projeto, configura um erro crasso de gestão pública. Acrescente-se, ainda, a omissão do governador do Estado do Paraná, que representa o poder estadual e endossa uma política que favoreceu o isolamento desse bairro, decretando a vida de seus moradores à deriva.
A localização estratégica escolhida para o Bem Viver demonstra uma clara falha no planejamento urbanístico. Ao se situar longe do centro, o bairro obriga os moradores a atravessarem a PR-444, uma rodovia de intenso movimento, sem a mínima infraestrutura de segurança: não há passarelas, semáforos ou sinalização adequada, e a iluminação é praticamente inexistente. Essa situação transforma o simples ato de sair de casa em uma aposta, em que o risco de acidentes graves é iminente. E, se um derramamento de sangue vier a ocorrer, esse sangue estará nas mãos de todos os gestores envolvidos – vereadores, ex-prefeito, atual prefeito e o governador do Estado do Paraná – responsáveis pela primeira morte que certamente virá a ceifar uma vida inocente neste local.
Para agravar ainda mais o quadro, beneficiarem-se-á um grupo específico que detém chácaras na região. Parece que, diante da falha estatal que negligencia a moradia digna para a população, alguns poucos privilegiados conseguiram obter vantagens e comodidades ao possuir um pedaço de terra onde a segurança foi tratada como mero coadjuvante. Essa situação inaceitável, onde a falta de moradia adequada gera um desequilíbrio social e urbano, evidencia a profana lógica de um projeto que ignora os direitos básicos dos cidadãos.
Além disso, uma análise crítica revela outro ponto de repúdio: o tamanho das casas construídas no projeto Bem Viver. As informações disponíveis indicam que os imóveis possuem, em média, menos de 45 m², dimensões que não atendem às necessidades de uma família moderna. Essas medidas não apenas ilustram a precariedade do projeto habitacional, como também evidenciam que o investimento realizado não busca promover qualidade de vida, mas sim alienar os cidadãos por meio de uma habitação que beira o desumano e o minimamente aceitável.
O descaso dos gestores públicos é duplamente condenável. De um lado, temos os vereadores que autorizaram a cessão do terreno para uma construtora, diante de um cenário que já demonstrava ser completamente inadequado para a implantação de um bairro com as mínimas garantias de segurança. Do outro, a postura irresponsável do ex-prefeito e do atual, que insistem em perpetuar uma política pública que expõe vidas ao risco sob o pretexto de inaugurações que nada representam além de um mero adendo a um projeto falho. Sem falar na responsabilidade do Governo do Estado do Paraná, que, ao permitir que um bairro seja planejado de forma tão desumana e isolada, coloca a população em perigo constante.
A hora de cobrar transparência, responsabilidade e ação imediata é agora. Medidas urgentes – como a instalação de passarelas, semáforos e iluminação adequada – são indispensáveis para evitar que o primeiro trágico episódio de derramamento de sangue seja apenas o início de uma série de fatalidades. Não podemos aceitar que a vida dos cidadãos seja tratada como moeda de troca para benefícios exclusivos dos que detêm chácaras e privilégios. É o momento de responsabilizar todos os envolvidos e exigir um planejamento urbano que preserve a segurança e a dignidade dos araponguenses.