Tragédia anunciada na PR-444: Bem Viver pede socorro
No domingo, 13 de abril de 2025, um novo acidente grave na rotatória da PR-444, em Arapongas, escancarou o descaso das autoridades com os moradores do bairro Bem Viver. Passávamos pelo local, momento em que havia um carro capotado após um acidente na rodovia, e testemunhamos não apenas um retrato de um dia infeliz, mas a prova de que aquele ponto da rodovia se tornou um campo minado diário para trabalhadores e famílias que lutam por dignidade.
confira vídeo abaixo
O bairro Bem Viver foi implantado longe de tudo: afastado do centro, sem estrutura de transporte público decente, com acesso precário a serviços básicos como saúde e educação. Para piorar, a única ligação com a cidade se dá por uma rotatória mal iluminada e sem nenhuma segurança para pedestres ou ciclistas — exatamente onde o acidente aconteceu.
A PR-444 é uma das rodovias mais movimentadas da região. Milhares de veículos passam por ali todos os dias, incluindo caminhões em alta velocidade. E mesmo assim, não existe passarela, não há semáforo, não há faixa de pedestres visível. A travessia para quem mora no Bem Viver é um ato de fé, uma roleta russa diária. O mínimo que o poder público deveria garantir — a vida — está sendo negligenciado.
A iluminação na rotatória é quase inexistente. À noite, é como atravessar um breu. E os acidentes, infelizmente, não são novidade. Moradores já fizeram, denúncias, postagens nas redes. A resposta? Silêncio.
A escolha de construir um bairro tão longe do centro e deixá-lo isolado, sem integração viária segura, é uma decisão política. E como toda decisão política, ela tem responsáveis: prefeitos, secretários, vereadores, DER, governo estadual. Todos que bateram martelo sem garantir infraestrutura decente têm responsabilidade direta nas tragédias que ocorrem — inclusive nesta de agora.
Este capotamento não é um caso isolado. É um alerta, um grito de socorro. E precisa ser tratado como tal. Não dá mais para aceitar a lógica do “só depois que morre alguém” para que alguma providência seja tomada.
É urgente:
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Construção de uma passarela no trecho da rotatória;
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Instalação de semáforos com botão para pedestres;
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Sinalização horizontal e vertical adequada;
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Iluminação completa da área;
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Fiscalização e limite de velocidade mais rígidos.
O povo do Bem Viver não é cidadão de segunda categoria. São trabalhadores, mães, pais, jovens e idosos que precisam atravessar a PR-444 porque simplesmente não têm outra opção. Cada dia que passa sem ação é uma tragédia à espera de acontecer.
O acidente de domingo poderia ter sido fatal. O próximo talvez não tenha a mesma sorte. Até quando vamos contar mortos para exigir o mínimo?