Chegou o Carnaval, e com ele, a tradicional gritaria dos “defensores da moralidade” que passam o ano inteiro fingindo indignação. Enquanto eles resmungam, milhões de trabalhadores aproveitam a folga para viajar, descansar e, claro, injetar dinheiro na economia.
A verdade é que o Carnaval é um dos maiores impulsionadores do turismo no Brasil. Cidades inteiras sobrevivem desse período, recebendo turistas que movimentam hotéis, restaurantes, transporte e pequenos comerciantes. Salvador, Rio de Janeiro, Recife, Ouro Preto… Em cada canto do país, a festa não é só cultura, é renda. Milhares de ambulantes e comerciantes informais têm nesse período sua maior fonte de lucro do ano. E isso não é só nas grandes capitais: cidades menores com tradição de blocos e festas populares também se beneficiam, movimentando desde o vendedor de bebidas até os pequenos artesãos.
Mas não é preciso viajar para aproveitar a folia. Quem fica na própria cidade tem a chance de prestigiar artistas locais, blocos de rua e eventos que fortalecem a cena cultural. Afinal, cultura não é luxo, é identidade – e também um setor que emprega milhares de pessoas. O Carnaval é a prova de que cultura popular é resistência, sobrevivendo apesar dos cortes de investimento e da desvalorização que sofre o ano inteiro. Quando os tambores rufam e os foliões tomam as ruas, fica evidente que a cultura brasileira segue firme, com ou sem apoio.
E tem mais: o Carnaval faz bem para a saúde mental. Uma pausa no trabalho, um momento para extravasar, aliviar o estresse e voltar com mais ânimo para a rotina. O trabalhador, tão explorado o ano todo, finalmente tem uma chance de respirar. Mas, claro, tem sempre quem reclame. Curiosamente, muitos dos que chamam o Carnaval de “festa da perdição” são os mesmos que lotam resorts na Semana Santa ou gastam rios de dinheiro em feriados religiosos. Hipocrisia pouca é bobagem.
Para além da folia, o Carnaval é um espaço de liberdade. Aqui, ninguém precisa seguir regras de vestimenta, comportamento ou status social. O operário e o empresário dividem a mesma avenida, o homem se veste de mulher, a crítica política vira fantasia, e todos podem ser quem quiserem por alguns dias. Isso, claro, irrita quem não suporta ver o povo feliz, livre e autêntico.
No fim das contas, Carnaval é um grito de resistência e alegria. Cada um se expressa como quer – e isso incomoda muita gente. Mas que bom que a folia resiste. Que continue movimentando a economia, valorizando a cultura e mostrando que o Brasil, apesar de tudo, ainda sabe celebrar a vida.