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Herdeiro “kickado”. E o Art. 20?

ornal amassado sobre mesa de madeira com a manchete “Herdeiro ‘Kickado’? E o Art. 20?”, cercado por uma xícara de café fumegante e óculos de leitura, diante de uma janela chuvosa com bandeira vermelha tremulando ao fundo.

Demorou, mas a casa caiu. A fumaça finalmente virou fogo (e nem é mais amigo). Este blog confirma a informação que circula nos bastidores do poder em Arapongas: chutaram o “nobre legendário” do grupo de WhatsApp da base de apoio e sustentação do prefeito Rafa Cita.

Apuramos que os colegas de situação agora consideram o herdeiro milionário persona non grata. Os próprios pares dizem que o clima ficou totalmente insustentável. Chamam o “moleque de apartamento” de traidor. Além disso, apontam o sujeito como um individualista, alguém que não sabe conviver em grupo.

Contudo, a saída do grupo de zap, embora simbólica para a disputa política local, é o menor dos problemas para a classe trabalhadora de Arapongas.

A treta é boa. Mas e o crime?

Precisamos questionar, portanto, o silêncio ensurdecedor da Câmara de Vereadores. Por que os vereadores se calam sobre a legalidade dos atos do nobre edil?

Afinal, este blog e outros setores denunciaram há tempos a suposta improbidade administrativa do jovem defensor do “Estado Mínimo”.

A Lei Orgânica foi rasgada?

Falamos especificamente da violação do Artigo 20 da Lei Orgânica do Município de Arapongas. O artigo é bastante claro. Ele veta (proíbe!) expressamente que ocupantes de cargos eletivos, bem como de direção (como secretários), dirijam empresas. Especialmente empresas que firmam e/ou mantêm contratos com o município.

A regra é objetiva. Ela existe para impedir o óbvio conflito de interesses. Contudo, parece que para certos herdeiros milionários, a lei é apenas uma sugestão inconveniente.

O silêncio cúmplice da Câmara

Por conseguinte, o mesmo individualismo que tanto irritou os colegas da base situacionista é o que, supostamente, o vereador usou para burlar a legislação. Ele teria agido em benefício próprio, pelo menos é o que se diz nos corredores da política da cidade dos pássaros.

A ideologia do “Estado Mínimo” (só para os pobres, claro) é frequentemente utilizada como discurso. Afinal, para os negócios da família, o Estado parece ser muito bem-vindo.

Agora que tornaram o vereador persona non grata (pelo menos no WhatsApp), a pergunta fica para a população: a Câmara terá a coragem de agir? O rompimento político será suficiente? A Câmara vai finalmente apurar as denúncias de improbidade?

Ou será que o corporativismo e a proteção de classe falarão mais alto? Fiscalizar é uma obrigação do Legislativo, não um favor. Consequentemente, esperamos que a Casa de Leis cumpra seu papel.

O povo araponguense e a classe trabalhadora, que pagam os impostos que mantêm esses contratos, estão de olho.

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