Hoje não é dia de parabéns vazios, nem de postagens com flores virtuais. Pelo contrário, hoje é dia de cerrar os punhos. O 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, serve como um lembrete contundente da dívida histórica que este continente tem com as filhas da diáspora.
Elas são a base da pirâmide, o motor da classe trabalhadora e, justamente por isso, o principal alvo de um sistema que vive de explorar e oprimir. Falo com a propriedade de quem é filho de empregada doméstica, de quem viu de perto essa força que sustenta o Brasil nas costas.
Na Linha de Frente do Ataque Neoliberal e Fascista
Na conjuntura atual, com o fascismo mostrando os dentes e o neoliberalismo devorando direitos, são os corpos das mulheres negras que estão na mira. Isso porque a precarização do trabalho, com as reformas e a “uberização”, atinge em cheio quem já estava na base. São elas as primeiras a sentir os cortes na saúde e na educação.
Além disso, a ausência proposital do Estado em áreas como creches e saúde pública sobrecarrega ainda mais essas mulheres, que são forçadas a jornadas triplas. Consequentemente, a violência que as mata não é apenas a da bala do fuzil da polícia; é também a violência da negligência, do descaso de um projeto político que as considera descartáveis. A mídia hegemônica, por sua vez, as ignora ou as folcloriza, mas na periferia, a gente sabe a verdade.
“Enquanto uma mulher negra não for livre, ninguém será livre. A liberdade delas é o termômetro da nossa justiça social.”
Organização Popular é a Única Saída
Portanto, não basta postar uma foto ou uma frase de efeito. É preciso entender que a luta antirracista e feminista é, em sua essência, uma luta de classes. Homenagear figuras como Tereza de Benguela e Marielle Franco é, acima de tudo, seguir seu legado de organização e combate.
Em outras palavras, não se trata de um ato simbólico, mas de uma tarefa política concreta. Significa, por exemplo, fortalecer os movimentos de bairro, disputar os sindicatos e construir uma alternativa de poder que venha da classe trabalhadora. A resposta ao massacre não pode ser individual; ela tem que ser coletiva e organizada.
A tarefa da militância socialista é estar ombro a ombro, dando suporte e ecoando essa luta. Afinal, a libertação delas é a condição para a libertação de todos nós. Honrar é lutar junto, todos os dias. Por uma Palestina livre e por uma periferia com poder.