Nesta segunda-feira, 19 de maio de 2025, completam-se 100 anos do nascimento de Malcolm X, uma das figuras mais emblemáticas da luta antirracista no século XX. Embora tenha vivido em outro país e tempo, suas ideias continuam a ecoar em realidades como a de Arapongas, onde as desigualdades sociais, raciais e estruturais persistem.
De Malcolm Little a Malcolm X
Malcolm nasceu em 1925, em uma sociedade marcada pela segregação. Seu pai, militante dos direitos civis, foi morto em circunstâncias violentas. Já sua mãe foi internada após sofrer perseguições racistas. Com isso, Malcolm cresceu em abrigos e teve sua juventude atravessada pelo encarceramento.
No entanto, foi justamente na prisão que ele encontrou um novo caminho. Por meio da leitura, da religiosidade e da consciência política, passou a entender o racismo como um sistema de dominação. Assim, adotou o “X” como símbolo do sobrenome ancestral perdido pela escravidão. A partir de então, tornou-se um dos maiores defensores da emancipação do povo negro.
O legado de Malcolm X e a realidade de Arapongas
A trajetória de Malcolm X inspira diversas lutas contemporâneas. Em cidades como Arapongas, por exemplo, ainda é necessário combater o racismo estrutural, fortalecer a participação popular e garantir uma educação libertadora.
Educação como ferramenta de libertação
Malcolm X dizia: “Educação é o passaporte para o futuro.” Essa frase se conecta diretamente com a urgência de implantar, de forma efetiva, a Lei 10.639/2003. No entanto, em Arapongas, o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira ainda é negligenciado. Isso enfraquece a construção de uma sociedade mais crítica e inclusiva.
Além disso, a ausência de ações pedagógicas voltadas ao combate ao racismo perpetua desigualdades que afetam principalmente jovens negros e periféricos. Ou seja, sem educação antirracista, não há cidadania plena.
Participação social negligenciada
Outro ponto crucial é a exclusão das comunidades nas decisões políticas. Malcolm X denunciava como as vozes negras eram silenciadas em sistemas dominados por interesses brancos e elitistas. Em Arapongas, esse silêncio institucional é visível, por exemplo, na ausência de audiências públicas em temas sensíveis, como a instalação de câmeras de monitoramento.
Dessa forma, o poder público atua sem escutar a população que será diretamente impactada. Isso revela uma cultura política autoritária e tecnocrática que precisa ser superada.
Orgulho negro e expressão periférica
Enquanto isso, a juventude negra araponguense luta para afirmar sua identidade em um contexto ainda marcado por estigmas. Iniciativas como a Rádio Escola, já relatadas neste blog, demonstram a potência de projetos culturais que nascem da periferia. No entanto, sem apoio institucional, essas ações permanecem isoladas.
Portanto, é fundamental reconhecer, incentivar e valorizar essas expressões de resistência cultural, dando visibilidade às vozes historicamente excluídas.
Por fim, uma lição de luta e coragem
Malcolm X afirmava:
“Você não pode separar paz da liberdade, porque ninguém pode estar em paz a menos que tenha liberdade.”
Hoje, ao celebrarmos seu centenário, somos desafiados a pensar em quais liberdades ainda nos são negadas — especialmente em realidades como a de Arapongas. A luta por justiça, igualdade e participação popular segue viva, e seu legado nos lembra que o silêncio nunca será uma opção.