Na cerimônia do Oscar 2025, duas obras se destacaram por suas narrativas contundentes: “No Other Land”, vencedor de Melhor Documentário, e “Ainda Estou Aqui”, premiado como Melhor Filme Internacional. Ambos os filmes não apenas conquistaram estatuetas, mas também acenderam debates sobre atrocidades históricas e ameaças contemporâneas à democracia.
“No Other Land” lança luz sobre a destruição de casas de moradores em Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada, pelas forças de Israel. Dirigido por uma equipe de cineastas palestinos e israelenses, o documentário expõe a brutalidade de uma ocupação que muitos preferem ignorar. Durante o discurso de aceitação do Oscar, os diretores clamaram pelo fim da limpeza étnica do povo palestino, trazendo à tona uma realidade frequentemente silenciada.
Por outro lado, “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, revisita o sombrio período da ditadura militar que se instaurou no Brasil em 1964. O filme serve como um lembrete poderoso das atrocidades cometidas em nome da “segurança nacional” e da fragilidade das liberdades civis diante de regimes autoritários. A vitória deste filme no Oscar destaca a importância de relembrar e reconhecer os erros do passado para evitar sua repetição.
As narrativas de ambos os filmes convergem em temas de opressão e resistência. A limpeza étnica em Gaza e as ameaças à democracia brasileira, embora distintas em contexto e tempo, compartilham a essência da luta contra a tirania e a injustiça. Enquanto o povo palestino enfrenta a ocupação e a violência diária, os brasileiros refletem sobre um passado não tão distante, onde vozes dissidentes eram silenciadas e direitos humanos, violados.
A premiação dessas obras no Oscar 2025 não é apenas um reconhecimento artístico, mas também um chamado à conscientização global. Em tempos onde a democracia é constantemente testada e os direitos humanos são ameaçados, filmes como “No Other Land” e “Ainda Estou Aqui” servem como lembretes da importância de resistir à opressão e valorizar a liberdade.
É essencial que o público não apenas assista a essas produções, mas também reflita sobre as mensagens que carregam. A arte tem o poder de provocar, educar e inspirar mudanças. Que essas histórias nos motivem a lutar por um mundo mais justo e humano, onde atrocidades como as retratadas nesses filmes sejam relegadas ao passado e nunca mais se repitam.