
Hoje é meu aniversário, mas não há festa a se fazer,Cada vela que se acende, é um ano a se perder.
Não que eu tema o destino, que a todos há de chegar,Mas vejo no calendário, o tempo a me avisar.O mundo gira sem pressa, sem se importar com meu passo,E eu sigo nesse compasso, contando o que já foi traço.
Já fui menino, fui jovem, hoje a idade me olha de frente,E cada ruga que nasce, é a foice sorrindo pra gente.Não vejo o fim como perda, mas como um ciclo a fechar,Pois todo fruto maduro, se entrega ao chão pra brotar.
Se a vida é sopro que passa, que seja um sopro feroz,Que deixe raiz tão firme, que ecoe naqueles sem voz.Não há medo na partida, há certeza e há missão,Que meu nome não se apague, mas vire revolução.
Que meus filhos encontrem luta, que espalhem pelo caminho,Que não se dobrem ao vento, que não se curvem sozinhos.A morte é só um começo, debaixo da terra se planta,O corpo desce ao silêncio, mas a história se levanta.
E assim sigo sem pressa, mas sabendo o que fazer,Não quero ouro, nem glória, quero apenas florescer.Pois quando o tempo chamar, e meu corpo enfim descer,Que fique minha semente, pra esse mundo renascer.