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Blindagem de Paulo Grassano rui: LAI expõe manobras da Câmara

Camara de Vereadores de Arapongas, onde realiza as sessões.

A admissibilidade da denúncia contra o vereador Paulo Grassano não ocorreu por acaso. Ela representa, na verdade, a derrota de uma estratégia deliberada de silêncio. Respostas oficiais obtidas com exclusividade por O Trovão, via Lei de Acesso à Informação (LAI), comprovam que a Mesa Diretora operou uma sistemática blindagem de Paulo Grassano por mais de três meses.

Enquanto nossa equipe revelava contratos milionários do grupo familiar do vereador com a prefeitura, o Legislativo utilizava a burocracia para não investigar. A Câmara ignorou o que era público e notório sob a gestão de Marcio Nickenic.


A blindagem de Paulo Grassano e o mistério das 16 horas

O documento mais escandaloso que obtivemos é o Ofício nº 30/2025 . Nele, a Câmara admite oficialmente que recebeu a primeira denúncia, de José Ricardo da Silva Costa, ainda em 27 de agosto de 2025.

Contudo, a Presidência usou um argumento insólito para justificar sua inércia. O denunciante retirou o pedido no dia seguinte. Assim, a Câmara alegou que, “com menos de 16 horas de diferença”, o documento “não chegou a tramitar”.

Essa resposta oficial confirma a omissão dolosa. Ao receber provas de ilegalidades e contratos suspeitos, a Câmara tinha o dever de investigar de ofício. Porém, ao se apegar ao prazo de “16 horas”, o Legislativo escolheu fechar os olhos para as provas. Dessa forma, a blindagem de Paulo Grassano garantiu mais três meses de impunidade ao vereador.


A manobra da Comissão de Justiça para manter a blindagem

O nó jurídico criado para proteger o vereador é complexo. O mesmo ofício confirma que a Comissão de Ética titular está suspensa por uma liminar judicial. Consequentemente, a responsabilidade de julgar a quebra de decoro recaiu sobre a Comissão de Justiça, Legislação e Redação.

O escândalo reside na composição desse grupo. Até o dia 17 de novembro de 2025, quem presidia essa comissão era o próprio Paulo Grassano. Ou seja, durante meses, a blindagem de Paulo Grassano funcionou porque ele era, ao mesmo tempo, o investigado e o juiz de admissibilidade de qualquer denúncia contra si mesmo.

Essa aberração só acabou na sessão do dia 17. Pressionado pela nova denúncia e pela exposição pública, o Presidente da Casa reconheceu o impedimento. Em ato contínuo, ele declarou a vacância do cargo de Grassano na comissão. Imediatamente, o plenário elegeu o vereador Luisinho da Saúde para ocupar a vaga, rompendo finalmente o ciclo de proteção.


Tentativa de desqualificar a denúncia

Mesmo com a nova denúncia de novembro, a resistência continuou. Nos ofícios nº 28 e 30/2025, a Presidência afirmou que realizava “diligências prévias”. O argumento era uma suposta “suspeita de que a denúncia fosse apócrifa”.

Essa tática serviu apenas para impedir a leitura imediata em plenário. A blindagem de Paulo Grassano tentou transformar um documento assinado, com provas anexas, em um “papel sem valor”. O objetivo era claro: ganhar tempo enquanto a pressão popular aumentava.


A fiscalização venceu a blindagem

A persistência de O Trovão e da sociedade civil quebrou o muro de proteção. Se dependesse apenas da vontade política da Câmara, as denúncias de agosto teriam morrido na gaveta.

Agora, o cenário mudou. Com o processo instaurado, o vereador afastado da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar e um relator designado, a Câmara não tem mais onde se esconder. Os documentos que a Presidência tentou ignorar agora formam a base do julgamento que pode cassar o mandato. A blindagem de Paulo Grassano falhou, e a verdade documental prevaleceu.

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