Quando o discurso liberal encontra a fatura pública, a conta costuma ser alta. E em Arapongas, o caso do então secretário municipal Paulo Grassano Barros de Carvalho — hoje vereador — é exemplar. Segundo dados oficiais do TCE-PR, Grassano recebeu R$5.622,56 em diárias públicas entre 2023 e 2024. Um valor que contrasta com sua retórica sobre austeridade, eficiência e “Estado mínimo”.
E a pergunta que ecoa é simples: quem paga o mínimo de quem prega o mínimo?
Os números do TCE-PR
De acordo com o Portal da Transparência do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, o nobre legendário recebeu:
- 4 diárias em Curitiba (2023) – R$3.891,04
- 2 diárias em Guarapuava (2023) – R$1.245,14
- 1 diária em Curitiba (2024) – R$486,38
Total: 7 diárias, somando R$5.622,56, com média de R$803,22 por dia.
Esses valores foram pagos quando ele ocupava o cargo de Secretário Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda.
O curioso é que, para um servidor comum — como um motorista da saúde que transporta pacientes para outros municípios —, a diária média, segundo o mesmo TCE-PR, não passa de R$180,00.
Do discurso à prática: o Estado mínimo que custa caro
O herdeiro milionário construiu sua imagem política defendendo a “redução da máquina pública”, o “fim dos privilégios” e o “uso racional do dinheiro do povo”. No entanto, o que se observa é o contrário: sete diárias pagas com recursos públicos, sem detalhamento sobre resultados concretos das viagens.
O contraste é gritante. Enquanto trabalhadores e trabalhadoras enfrentam a precarização do serviço público, o “liberal de apartamento” acumulava diárias que beiram um salário mínimo por dia.
O problema não está apenas no valor, mas na coerência política e ética.
Quem prega cortes em políticas sociais, mas aceita diárias acima de 800 reais, precisa explicar o que entende por “responsabilidade fiscal”.
Transparência e contradição
A transparência é uma exigência democrática — e o Portal do TCE-PR está aí para isso. Os dados não mentem: Grassano custou caro ao erário municipal.
O que resta saber é se houve resultados proporcionais aos gastos. Houve relatórios técnicos? Houve impacto mensurável das viagens? Ou o contribuinte pagou pela conveniência do “Estado mínimo”?
Mais do que números, trata-se de credibilidade pública.
Não há moral liberal que resista quando o discurso cai por terra diante de recibos.
Quem banca o mínimo?
Nós não nos calaremos diante das contradições que corroem a política local.
Se o vereador Paulo Grassano defende o enxugamento do Estado, que comece pelo próprio bolso.
Enquanto a maioria dos servidores vive com diárias modestas e salários apertados, a elite política segue se servindo do banquete público — em nome de uma “eficiência” que só serve aos de cima.
Afinal, o Estado mínimo deles é sempre pago pelo povo máximo.