Crônica de Domingo O Trovão: a semana que insiste em gritar

Domingo chegou e, como sempre, a semana se recusa a terminar em silêncio. Entre inaugurações apressadas, operações policiais ruidosas e a política paranaense se mexendo como quem sabe que 2026 não é tão longe assim, o noticiário exige mais do que resumo: pede leitura crítica, memória e um pouco de ironia — porque sem ela, o noticiário vira só nota fria.

Comecemos pela ponte Brasil–Paraguai, a chamada Ponte da Integração, obra estratégica, bilionária e 100% financiada com recursos da Itaipu Binacional. Um patrimônio do povo brasileiro. Até aí, tudo certo. O problema é que o (des)governo Ratinho Jr. resolveu fazer pose de inaugurador, mesmo sem autorização formal para operação plena da estrutura. Foi uma daquelas cerimônias de “abre, mas não passa”, mais próximas de um ensaio fotográfico do que de um ato administrativo responsável. A pressa em disputar palanque falou mais alto que o respeito aos trâmites legais — algo que, convenhamos, não surpreende quando o projeto político anda mais focado em 2026 do que na legalidade de 2025.

Enquanto isso, em Brasília, a semana foi sacudida pela Operação Galho Fraco, da Polícia Federal. Busca e apreensão na casa de deputados do PL e, como cereja do bolo, dinheiro vivo encontrado na residência do líder do partido na Câmara. Notas empilhadas, explicações frágeis e o velho discurso de perseguição política. Curioso como certos setores vivem falando em moral, família e bons costumes, mas parecem ter uma relação bastante flexível com envelopes recheados. E pensar que tem gente que ainda se apresenta como “nova política”.

No meio desse cenário, uma informação correu pelos bastidores com clima de reencontro e alegriaAndré Vargas está de volta ao jogo político. Depois de cumprir todo o período de inelegibilidade, André reaparece sereno, experiente e com a leveza de quem conhece o peso da história — e sobreviveu a ela. Entre companheiros, o sentimento é de festa discreta, dessas que não precisam de palco nem fogos, porque falam por si. A política também é isso: quedas, travessias e retornos que desafiam os roteiros prontos.

E já que falamos em roteiros, vale um parêntese irônico: enquanto alguns exibem dinheiro em casa, outros seguem exibindo discursos moralistas de Curitiba, mesmo depois de a história ter se encarregado de desmontar mitos e revelar métodos. O silêncio recente de certos ex-juízes falastrões talvez seja o som mais honesto que produziram em anos.

Nas ruas, porém, o barulho é outro — e urgente. A semana também foi marcada por mais um feminicídio que chocou o país, reacendendo protestos, denúncias e a revolta legítima contra um Estado que falha sistematicamente em proteger mulheres. Não é caso isolado, é estrutura. Não é tragédia individual, é política pública ausente.

E enquanto o mundo assiste, atônito ou cúmplice, ao genocídio imposto por israhell ao povo palestino, reafirmar posições não é opção: é dever. A crônica da semana também é internacional, porque a barbárie não respeita fronteiras — e a solidariedade tampouco deveria.

No fim das contas, a semana gritou. Em pontes inauguradas pela metade, em cofres improvisados, em retornos políticos e em vidas interrompidas. Cabe a nós decidir se vamos apenas ouvir o eco — ou transformar o barulho em consciência.

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