Bala, Mosquito e a Conta Que Nunca Fecha

Arte para ilustrar crônica do Blog do Tiago Prado_ cenário urbano desgastado com tons escuros e contrastantes. Figuras estilizadas de trabalhadores em sombra, representando precarização. Elementos visuais como placa

No Brasil, tudo é possível. Até campeonato de futebol virar caso de polícia e mosquito ganhar mais moral que gestor público. A semana foi um verdadeiro espetáculo, com direito a bala de borracha no esporte, dengue que não mata em Arapongas (segundo as estatísticas oficiais) e um pedágio que parece entrada de festa VIP.

Arapongas, sempre inovando, terminou o Torneio 1º de Maio com confusão e bala de borracha—porque futebol sem emoção não tem graça, né? Jogador ferido, dois detidos e a certeza de que a PM tem dedo nervoso até em jogo de várzea.

Mas o verdadeiro show de ilusionismo tá na epidemia de dengue. Todas as cidades ao redor já registraram mortes, mas Arapongas? Nada. Aqui os mosquitos são diplomáticos, ou os números estão sendo maquiados? Hospital lotado, relatos de casos graves, mas oficialmente tá tudo tranquilo. Se negar a realidade resolvesse os problemas, o Brasil seria um paraíso.

Descendo um pouco no mapa, Curitiba relembrou os 10 anos do massacre do Centro Cívico. Professores na rua, memória pulsante e o lembrete de que quem mandou reprimir segue pagando o preço do próprio legado. Richa, Francischini e Traiano: ladeira abaixo.

Enquanto isso, o Paraná lançou uma nova facada no bolso do povo com pedágio renovado. Agora, rodar pelo estado custa mais que uma viagem internacional. Melhor preparar o pix, porque viajar virou um privilégio.

Brasília, como sempre, seguiu firme no caos institucional. Lula trocando ministra, a oposição montando CPMI pra fuçar grana no INSS, e aposentado na fila, sem atendimento. Desvio tem solução, mas benefício previdenciário? Só com fé e paciência.

No setor dos ex-presidentes com ficha criminal, Collor cumpre prisão domiciliar, mostrando que o “Caçador de Marajás” virou caçado. Bolsonaro saiu da UTI e voltou a fazer o que sabe: fingir que ainda tem relevância.

Lá fora, Trump quer cortar US$ 163 bilhões do orçamento dos EUA, porque brincar de governar virou moda. Em Gaza, um navio humanitário foi bombardeado, porque solidariedade virou alvo. Singapura teve eleição, mas sem emoção, porque por lá o resultado já vem impresso.

E Arapongas, como sempre, segue firme no surrealismo. Segunda-feira, a Câmara dos Vereadores debate a Lei antiOuruam. Nome que parece senha de Wi-Fi, importância zero. Enquanto o povo toma picada de mosquito e paga pedágio absurdo, tem gente ocupada com coisa que não muda nada. Prioridade é um conceito muito relativo por aqui.

O Brasil segue no modo difícil, mas o povo já aprendeu a jogar no improviso. Segura o bolso, passa repelente e desvia da bala—porque a próxima paulada já tá chegando.

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