Parece piada de mau gosto, mas, na realidade, é só o retrato do Brasil atual, onde a lógica foi para o espaço. Estamos num hospício a céu aberto, no qual as palavras perderam completamente o seu sentido original, sequestradas por quem sempre as desprezou.
De um lado, vemos o campo da direita, que até ontem batia continência para pneu e pedia golpe militar, arrotando por aí uma suposta “defesa da democracia”. Por outro lado, nós, do campo popular e socialista, que sempre fomos taxados de “entreguistas”, agora levantamos a bandeira da soberania e denunciamos os “traidores da pátria”.
Que bagunça é essa? Calma, eu explico. Afinal, não é tão complicado quanto parece.
A “Liberdade” Fascista para Delinquir
Vamos começar pela farsa da direita. Claramente, a “liberdade de expressão” que eles defendem não é a sua ou a minha, companheiro. Não é a liberdade de um trabalhador denunciar a exploração.
Na verdade, a “liberdade” deles é a licença para cometer crimes. É o salvo-conduto para disseminar fake news, atacar as instituições e destilar ódio. Além disso, é a liberdade do forte para esmagar o fraco, sob a proteção de bilionários donos de plataformas digitais.
Essa turma só defende a “democracia” quando ela serve aos seus interesses. No entanto, quando a justiça aperta o cerco contra seus líderes golpistas, a mesma “democracia” vira uma “ditadura”. É uma hipocrisia impressionante.
Patriotas de Miami
Enquanto isso, o que move a esquerda a falar em soberania? Fundamentalmente, é o desespero da classe trabalhadora ao ver a elite vira-lata, mais uma vez, correndo para os braços do império para conspirar contra o Brasil.
O exemplo mais patético é o do filho do inelegível, que passa mais tempo em Washington do que em Brasília, mendigando intervenção gringa contra a justiça brasileira para salvar a pele do pai genocida.
Isso tem nome: lesa-pátria. Uma autêntica traição que representa a submissão aos interesses estrangeiros em detrimento da nossa soberania. Trata-se do comportamento típico de uma elite que sempre viu o Brasil como sua fazenda particular.
“Para a elite, pátria é o seu patrimônio; para a classe trabalhadora, pátria é soberania, direitos e dignidade.”
Disputar as Palavras é Disputar o Poder
Portanto, não caia nessa cilada. A inversão de narrativas é uma tática de guerra. A direita quer roubar nossos símbolos para confundir o povo e se fantasiar de democratas para melhor destruir a democracia por dentro.
Nossa defesa da soberania, contudo, não é um nacionalismo tosco. É a defesa do nosso direito de decidir nosso próprio futuro e de proteger nossas riquezas contra qualquer tipo de interferência.
Assim, nossa tarefa, como militantes, é desmascarar essa farsa e disputar cada palmo dessa guerra. É organizar a classe trabalhadora para que ela entenda quem são os verdadeiros defensores do povo. Não basta ter razão, é preciso convencer.