Comissões Permanentes para o biênio 2025-2026 (AR)

Vamos falar sobre a sessão especial da Câmara de Vereadores de Arapongas, que definiu os membros das comissões permanentes para o biênio 2025-2026, realizada na última sexta-feira, 03 de janeiro. O que se viu nessa sessão? Uma composição de comissões que reflete uma visão elitista e tecnocrática, com predomínio de figuras de classe média alta, distantes das demandas reais da população mais vulnerável.

Comissão de Direitos Humanos: Contradições Visíveis

Particularmente, preocupante é a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança Pública, composta exclusivamente por figuras com perfil distante das questões sociais mais urgentes enfrentadas pela população de Arapongas. Abordarei noutro post.

Essa comissão deveria ser um espaço de defesa e proteção dos mais vulneráveis, mas sua composição revela o contrário. Entre os membros, temos:

  • Paulo Grassano (PP), empresário milionário e vereador mais jovem da casa, sem histórico de envolvimento com pautas sociais;

  • Toninho da Ambulância (União), que pratica um assistencialismo puro e barato, distante de ações estruturais;

  • Simone Sponton (PSD), advogada com atuação voltada para o autismo, mas cuja experiência na articulação de políticas públicas amplas é questionável.

O cenário desrespeita o propósito dessa comissão, transformando-a em um palco de interesses pessoais e distanciando-a de sua missão original de inclusão e proteção social.

Comissão de Educação, Saúde e Assistência Social: Desconexão com as Demandas

Apesar da presença do professor Levi Xavier , com “experiência” na educação pública e conexão com demandas da área, os demais membros deixam a desejar. Mais uma vez, aparecem:

  • Paulo Grassano (PP), cuja atuação é pouco relacionada com educação, saúde ou assistência social;

  • Toninho da Ambulância (União), cuja ocupação de motorista de ambulância, embora ligada à saúde, não o qualifica para decisões estratégicas nessas áreas.

Essas escolhas reforçam a falta de sensibilidade e preparo técnico em áreas que desbloqueiam conhecimento e proximidade com as necessidades reais da população.

Repetição de Nomes e Controle Político

A repetição de nomes em diversas comissões reflete uma estratégia clara de concentração de poder, beneficiando uma política de elite e negligenciando a pluralidade e representatividade. Figuras desalinhadas às funções que deveriam desempenhar tornam-se peças-chave em um tabuleiro que prioriza articulações pessoais em detrimento do interesse público.

Comissão de Meio Ambiente: Uma Escolha Sensata?

O único, suposto, respiro, mesmo que limitado, aparece na Comissão de Meio Ambiente, onde Valdecir Pardini (União), servidor público com atuação na área, parece uma escolha razoável. No entanto, essa aparente coerência é insuficiente para compensar os erros gritantes na composição das demais comissões.
Digo sobre Pardini por conta de sua ocupação como servidor público municipal na área. 
Ademais, ainda abordaremos aqui e em O Trovão.

Reflexão Final

O que essa sessão especial nos mostrou foi mais um retrato de como interesses pessoais e articulações políticas prevalecem sobre o compromisso com o povo. Quem perde com isso? Sempre as camadas mais vulneráveis, que continuam sem representatividade em decisões que impactam diretamente suas vidas.

Embora as eleições das comissões da Câmara de Vereadores de Arapongas representem a continuidade de um sistema político que, em grande parte, mantém o status quo, é necessário que os parlamentares iniciem uma reflexão mais profunda sobre o papel de suas comissões e sua responsabilidade para com a população mais vulnerável.

O momento é de reflexão e ação. Arapongas precisa de um olhar mais atento às questões sociais e de uma Câmara de Vereadores que, além de representar a população, também esteja disposto a ouvir as vozes mais silenciadas e garantir políticas públicas inclusivas e transformadoras. Caso contrário, a perpetuação de uma política de elite, sem a devida representatividade das classes populares, poderá continuar a aprofundar as desigualdades e a distanciar a Câmara das reais necessidades da cidade.

Arapongas merece mais. O desafio está lançado para os vereadores: será que eles conseguirão romper com as velhas práticas e construir uma cidade mais justa e igualitária?

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