No primeiro post, estabelecemos a resposta: “Vai pra Cuba!”. E eu fui. Agora quanto custou ir para Cuba.
A reação imediata, claro, é a desonestidade intelectual da direita. Mas a segunda reação, inclusive de companheiros, é prática: “Como?”. “E afinal, quanto custou ir para Cuba?“.
Muita gente pergunta “quanto custa” (no presente), mas vou responder no passado: o valor real que saiu do bolso. Contudo, para um indivíduo como eu, preto, de quebrada, pai de quatro e militante socialista, uma viagem como essa não é um luxo. É um projeto político.
Portanto, esqueça os guias de viagem. Afinal, esta é a planilha real de quanto custou ir para Cuba.
O Custo Real: O Planejamento de 1,5 Ano
Vamos direto ao ponto. A viagem de 12 (doze) dias me custou, no total, cerca de R$ 7.500 (nove mil e quinhetos reais).
Esse valor não saiu de um PIX mágico. Foi 1,5 ano de disciplina. Como militante progressista, filho do subúrbio que sabe o valor de cada centavo, estava fazendo estágio no Tribunal de Justiça (TJ-PR). Portanto, decidi que parte daquela bolsa iria para um “fundo de viagem”.
Não foi só “guardar”. Foi aplicar. No entanto, usei um fundo CDI para tentar, minimamente, proteger o dinheiro da inflação e dos juros altos que nós mesmos combatemos. Cada R$ 50, cada R$ 100 que sobrava, ia para o cofrinho. Assim sendo, essa foi a organização de base aplicada ao próprio bolso.
A Burocracia: Visto, Dólar e o Bloqueio
Do custo total, a passagem aérea (via Copa Airlines, pela rota do Panamá, a mais viável) consumiu cerca de R$ 3.200.

Por outro lado, o resto é burocracia e logística. Primeiramente, o seguro saúde, obrigatório, que custou R$ 200. (Spoiler: eu precisei usar, e vou contar isso em detalhes bem lá frente). Em seguida, o visto, a “Tarjeta de Turista”, que paguei R$ 120 no próprio balcão da Copa Airlines antes de embarcar. O formulário online “D’Viajeros” foi simples e rápido.
Então, veio a moeda. Afinal, Cuba opera num sistema complexo. Dólar ou Euro? A pesquisa indicava Dólar. Cacei a moeda por semanas. Em abril do ano passado, o dólar turismo estava um roubo.
Comprei U$ 600 a R$ 5,25 que saiu por R$ 3.150,00.

O dinheiro que o sacrifiquei para guardar, o mercado financeiro e o bloqueio americano corroem. Isso tudo faz parte de “quanto custou ir para Cuba“.
A Logística: Aterrissando com o Povo
Eu não ia para Cuba para ficar em resort de luxo. A decisão sensata foi usar as “Casas Particulares”. É o sistema que permite que você se hospede na casa do povo cubano, garantindo que o dinheiro vá diretamente para a família, não para uma rede hoteleira internacional.
Reservei os três primeiros dias em um hostel/casa pela internet. Foi lá que conheci Rosmery. Ela foi a chave. Deu as primeiras dicas, desmistificou a propaganda e me ajudou a conseguir transporte para Trinidad.
Foi ela, por exemplo, que fez o primeiro câmbio para mim: U$ 1 = 300 CUPs (Pesos Cubanos). Dias depois, nas ruas, eu conseguiria cotações melhores, de 400 ou até 450 CUPs. É a economia informal que o bloqueio criminoso força sobre o povo.
A Rede de Apoio: Ninguém se Prepara Sozinho
Finalmente, “quanto custou ir para Cuba” também envolve tempo. Meses de pesquisa, lendo artigos, livros e assistindo documentários para furar a bolha da mídia hegemônica.
Além disso, tive o apoio crucial de quem já foi. Uma longa conversa com o companheiro Vanderlei Sartori, que tinha acabado de voltar, foi fundamental. Ele me cedeu seu “diário de viagem”, que virou meu guia de campo. Também reforcei meus grupos de conversação em espanhol, porque eu não ia para ouvir, ia para dialogar.
O planejamento foi feito. O dinheiro estava contado. O visto estava na mão.
Na próxima sexta-feira na terceira postagem da série “Relatos de Cuba“: Havana – O desembarque, o choque da realidade e a primeira noite na capital da resistência.