As viagens internacionais dos presidentes brasileiros sempre geram debates, especialmente em tempos de polarização. Parte da crítica se apoia exclusivamente no valor gasto, mas isso distorce o verdadeiro papel dessas agendas. Para entender os gastos com viagens presidenciais, é essencial analisar também os benefícios concretos que elas trazem ao Brasil.
Os números precisam de contexto
Em 2023, o presidente Lula gastou R$ 65,9 milhões com viagens internacionais. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro gastou R$ 38,8 milhões em período semelhante. Embora pareça uma diferença expressiva, é necessário observar o que cada viagem gerou de resultado para o país.
Ao contrário do que sugerem os críticos, Lula realizou agendas estratégicas. As visitas foram focadas em acordos bilaterais, atração de investimentos e recuperação da imagem do Brasil no exterior.
Retorno sobre investimento
Durante as viagens de 2023, Lula assinou 57 acordos bilaterais, incluindo:
- 15 com a China
- 19 com a Alemanha
- 13 com Portugal
Além disso, a diplomacia brasileira viabilizou R$ 50 bilhões em investimentos da China e mais R$ 12,5 bilhões dos Emirados Árabes Unidos. Esses recursos destinam-se a áreas como energia renovável, infraestrutura, saneamento e tecnologia.
Comércio exterior aquecido
O Brasil ampliou sua presença no mercado internacional. Noventa e seis mercados passaram a aceitar produtos brasileiros. Quarenta frigoríficos foram autorizados a exportar para a China, o que fortaleceu o agronegócio.
Enquanto isso, Bolsonaro optou por motociatas, férias e alinhamento automático aos Estados Unidos. Ele ignorou fóruns internacionais e se isolou em eventos diplomáticos.
Viagens como parte da política de Estado
Viagens presidenciais não são simples deslocamentos. Elas fazem parte de uma estratégia nacional para fortalecer relações, firmar parcerias e atrair investimentos. Portanto, ao contrário da narrativa simplista do nobre legendário araponguense, os custos não são desperdício. Eles viabilizam ganhos diplomáticos, comerciais e econômicos.
O Brasil é um país de dimensões continentais e precisa se relacionar com o mundo. Avaliar uma política externa apenas pelo custo das passagens revela uma visão estreita e demagógica. Viagens bem planejadas geram retorno, ampliam mercados e fortalecem o papel do país no cenário global. Enxergar isso é essencial para além da retórica.