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1º de Maio: O Trabalho Desmontado e a Farsa do Empreendedorismo

1º de maio- dia do Tabalhador

O Dia do Trabalhador já foi um símbolo de luta, resistência e conquistas históricas. Mas depois do golpe contra Dilma Rousseff em 2016, essa data se tornou um triste lembrete do desmonte acelerado dos direitos trabalhistas no Brasil. Com a reforma trabalhista de 2017, vendida como “modernização”, milhões de trabalhadores foram empurrados para a informalidade e para a ilusão do “empreendedorismo individual”—a nova cara da precarização.

O que era garantido por lei virou “negociação” entre patrão e empregado. Jornada exaustiva, contrato intermitente, fim da estabilidade e corte de direitos básicos passaram a ser tratados como “flexibilização”, escondendo a realidade dura de um trabalhador mais vulnerável e explorado.

E no meio desse caos, surgiu a romantização do “MEI” e do “empreendedorismo individual”. Tornar-se “dono do próprio negócio” virou discurso oficial para mascarar o desemprego. Mas a verdade é que para milhões, ser MEI não é escolha, mas sim a única alternativa para sobreviver sem direitos, sem férias, sem décimo terceiro e sem segurança mínima. Motoristas de aplicativo, entregadores, freelancers—todos empurrados para uma falsa autonomia, sem nenhuma proteção social.

A pejoritização da CLT virou regra. Quem luta por direitos é chamado de “preguiçoso”, quem quer estabilidade é acusado de “acomodado”. O mercado transformou direitos básicos em privilégios e vendeu a precarização como um novo estilo de vida. A desigualdade explode, mas a narrativa segue firme: “se você não cresceu, a culpa é sua”.

Dez anos atrás, o trabalhador brasileiro ainda tinha garantias. Hoje, o 1º de Maio representa uma classe desamparada, endividada e responsabilizada pelo próprio fracasso. Enquanto bancos e empresários lucram como nunca, os trabalhadores precisam escolher entre pagar o aluguel ou comprar comida.

E o governo? Segue aprofundando o modelo de precarização. A informalidade avança, o discurso meritocrático se sustenta, e os que questionam são silenciados. O Brasil de 2025 já não reconhece o que era ser trabalhador há uma década.

Neste 1º de Maio, não há o que celebrar. Mas há o que lembrar e denunciar: direitos destruídos, trabalhadores abandonados e um sistema que segue lucrando sobre a miséria de quem faz o país funcionar.

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