Na entrada do Parque dos Pássaros, onde trabalhadores terceirizados suam a camisa para erguer uma travessia elevada, desenrolou‑se um espetáculo de mau gosto. Em vez de fiscalizar, um vereadorzinho de meia pataca vestindo de preto foi até lá para tumultuar: avançou com dedo em riste, gritou acusações de roubo de celular e encenou seu showzinho barato no meio da obra. O empreiteiro, já cansado das provocações e de um histórico de embates anteriores, reagiu com um tapa — reação humana à sucessão de humilhações públicas.
O circo armado pelo parlamentar não é acaso, mas método. Eleito com com pouco mais de 2000 (dois mil) votos em 2024, não por propostas concretas, mas pelo marketing agressivo estilo MBL de quinta categoria, esse vereadorzinho prefere o grito à razão. Apresentou a lei de vilipêndio ao cristianismo para calar críticos, mas é ele quem insiste em caluniar e tumultuar. Na calçada, enquanto os operários tentavam avançar a construção, ele se exibia como cantorzinho de boteco frustrado, querendo holofotes e ignorando o real propósito de seu mandato.
O vilipêndio maior, porém, não é contra o cristianismo: é contra o próprio espírito republicano. Legislar para censurar piadas enquanto se promove espetáculo de quinta categoria é uma afronta ao mandato que deveria servir ao bem comum.
O vídeo é a antítese do debate democrático. O dedo em riste é a pistola sem pólvora de quem não tem projeto; o tapa, embora não deva ser celebrado, é o grito de alerta de quem está farto de tanta palhaçada. Tudo isso filmado para as redes, como se política fosse entretenimento, não serviço público.
Enquanto o parlamentar faz teatrinho, o contribuinte araponguense paga a conta. Pagamos imposto para ter asfalto, escola decente e atendimento de saúde — não para financiar picadeiro de mau nível. A travessia elevada, fundamental para a mobilidade e a segurança de centenas de moradores, atrasa porque um vereadorzinho MBL acha mais divertido sabotar o trabalho alheio do que apresentar um projeto viável.
É revoltante assistir ao espetáculo: o político que deveria representar o povo vira bufão de miçanga, vestindo provocação como fantasia. Ao insinuar que tentavam “roubar seu celular”, ele tenta inverter papéis, colocar-se como vítima de algoz imaginário. Essa estratégia rasteira só expõe sua incapacidade de debater com argumentos e mostra o quanto está disposto a distorcer a verdade para parecer injustiçado.
As autoridades competentes tem a obrigação de agir com celeridade, firmeza e contundência para apurar responsabilidades — e é urgente que esse vereadorzinho pare de bancar o moleque e cumpra o decoro parlamentar. Ele pode até investigar, questionar contratos e fiscalizar obras, mas tem de fazer isso de verdade, com respeito aos trabalhadores e às regras, e não com espetáculos de ódio e tumulto.
A política local merece mais. Arapongas precisa de quem dialogue, apresente soluções sólidas e entregue resultados, não de quem se veste de justiceiro de quinta, seguindo o manual sujo do MBL. Chega de show barato. Se o parlamentar quer ser lembrado, que seja pelos projetos que melhoram a vida, não pelos gritos que emperram a cidade. O povo tem a obrigação de varrer esse circo de quinta categoria de uma vez por todas pro esgoto de onde nunca deveria ter saido.