| |

Sessão da Câmara de Arapongas tem tensão e embates

Camara de Vereadores de Arapongas, onde realiza as sessões.

O Executivo na Arena: duas horas de defesa e confronto direto

A sessão da Câmara de Arapongas, realizada em 10 de novembro, transformou o plenário em um verdadeiro campo político. Durante quase duas horas, o prefeito Rafa Cita apresentou, defendeu e rebateu críticas à proposta de Reforma da Previdência Municipal (PLC 01/2025). O encontro, marcado por discursos duros e clima de tensão, revelou não apenas um embate técnico, mas uma disputa clara por poder e controle institucional na cidade.


Executivo na arena: “o mal necessário”

Rafa Cita assumiu o protagonismo da sessão. Em tom firme, defendeu a reforma como medida de responsabilidade fiscale apontou um rombo anual de R$ 60 milhões no regime próprio de previdência (IPASA). Segundo ele, esse montante “poderia ir para as creches, o asfalto e a saúde”, mas acaba drenado sem a reforma.

O prefeito afirmou:

“Eu sou prefeito de 125 mil habitantes, não apenas dos 3.400 servidores.”

Com isso, buscou inverter o enquadramento entre o “funcionalismo privilegiado” e o “trabalhador da indústria moveleira”. Além disso, comparou estabilidade e benefícios da carreira pública à CLT, classificando como “pífio e ridículo” o argumento de que os servidores seriam vítimas da reforma.

Rafa Cita também criticou o impacto da redução do IPVA no Paraná, medida do governo Ratinho Júnior que afetou diretamente as finanças municipais.

“Com a perda de receita do IPVA, se a reforma não passar, o 13º do próximo ano estará em risco”, disse.


A pedrada sobre o Estado: IPVA e o governo Ratinho Júnior

O prefeito aproveitou a tribuna para atacar o projeto estadual de redução do IPVA — que diminuiu a alíquota de 3,5% para 1,9% sob o discurso de “o menor IPVA do Brasil”. Ele rebateu:

“Esse dinheiro que deixava de entrar no município não pode ser tratado como filantropia: ele era custeio para as obrigações do município.”

A crítica reflete um consenso crescente entre prefeitos paranaenses: a política do governo Ratinho Júnior é vista como nefasto projeto de desmonte municipalista. Afinal ela enfraquece as prefeituras e compromete serviços básicos. Segundo Rafa Cita, a reforma local não é apenas um ajuste contábil. Entretanto, uma reação à política estadual que “força sacrifícios locais para favorecer uma agenda eleitoral”.


Oposição entre escombros: críticas, reações e derrotas

Durante o debate, os vereadores Décio Rossaneli e Aroldo Pagan protestaram contra o que chamaram de atropelo.

“Projeto de 40 páginas, sem debate, com 1 minuto para perguntas”, reclamou Rossaneli.

Apesar disso, a base de sustentação do Executivo manteve o controle da pauta. Os vereadores rejeitaram o pedido de vista por 9 a 5 e aprovaram a reforma em primeira votação por 11 a 3, confirmando o domínio político do prefeito na Casa.

O vereador Paulo Grassano, da base, votou favoravelmente, mas cobrou ajustes:

“Se aprovamos, quero alíquota justa para quem ganha menos e aumento no auxílio-alimentação.”
O prefeito sinalizou positivamente e prometeu avaliar as sugestões.

Por outro lado, Aroldo Pagan anunciou uma vitória parcial da oposição: a Justiça suspendeu a eleição da Comissão de Ética, após mandado de segurança impetrado contra a Mesa Diretora. O presidente da Câmara, Márcio Nickenig, minimizou a decisão:

“A liminar apenas suspendeu, não anulou o processo. Temos dez dias para prestar informações.”


Entre fiscalização e controle político

Apesar da tensão em torno da previdência, os vereadores aprovaram por unanimidade as contas do Executivo de 2024, acompanhando parecer favorável do Tribunal de Contas.

Além disso, apresentaram requerimentos de fiscalização. Aroldo Pagan cobrou a prestação de contas dos R$ 11 milhões destinados ao Parque das Nações, apontando paralisação das obras. Décio Rossaneli pediu explicações sobre interdições de ruas por empresas sem autorização da Sestran. Já Grassano propôs o “atestado responsável” para reduzir o absenteísmo nas empresas, com um modelo mais simples de comprovação.

Essas medidas, embora secundárias diante da reforma, reforçam o discurso de que governar exige equilíbrio entre controle, transparência e eficiência.


Domínio na Câmara de Arapongas

A sessão da Câmara de Arapongas de 10 de novembro confirmou o domínio político de Rafa Cita e a consolidação da sua base no Legislativo. Mesmo com vitórias pontuais, a oposição mostrou-se acuada e sem unidade de ação.

A disputa em torno da reforma previdenciária e da Comissão de Ética expôs não apenas divergências ideológicas, mas também uma luta por hegemonia institucional. Em síntese, o prefeito impôs ritmo e narrativa, enquanto a oposição buscou reagir em meio ao desgaste.

No fim, ficou evidente que a sessão não foi apenas sobre previdência ou ética: tratou-se de quem define as regras do jogo político em Arapongas — e, por ora, Rafa Cita segue no comando.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *