A iminente prisão de Bolsonaro deve ser comemorada por todo democrata. Afinal, o lugar de quem atentou contra a soberania nacional e gerenciou a morte de milhares na pandemia é, sem dúvida, a cadeia. No entanto, a esquerda não pode cair na armadilha da euforia desmedida. O encarceramento do ex-capitão não encerra o bolsonarismo, tampouco garante a reeleição de Lula.
Por isso, é fundamental compreender que a extrema-direita penetrou fundo no tecido social. Se acreditarmos que a prisão de Bolsonaro resolve todos os nossos problemas, seremos atropelados pela realidade política.
Para além da prisão de Bolsonaro: a economia é o campo de batalha
Embora a justiça esteja sendo feita nos tribunais, o maior adversário do governo hoje frequenta a Faria Lima. A atual política do Banco Central continua servindo aos interesses do capital financeiro. Consequentemente, essa postura sabota o desenvolvimento nacional.
É inaceitável mantermos uma meta de inflação irrealista. Na prática, ela serve apenas de pretexto “técnico” para juros estratosféricos. Além disso, o atual Marco Fiscal funciona como uma algema que estrangula o orçamento público. Dessa forma, sem enfrentar a ditadura dos juros, pavimentamos a estrada para o retorno do fascismo, mesmo com a prisão de Bolsonaro consumada.
Segurança Pública e o crime de colarinho branco
Por outro lado, a disputa não é apenas econômica. A direita vende a falsa solução de “bala e bomba”. Contudo, essa política apenas mata a juventude negra e pobre na periferia. O problema real é muito mais complexo.
Existe um ecossistema criminoso que liga facções diretamente ao sistema financeiro. Ou seja, o crime organizado lava dinheiro em bancos e tem sócios na alta sociedade. Portanto, precisamos de um Ministério da Segurança Pública forte, focado em inteligência. Do contrário, o risco de uma “bukelização” do Brasil continua alto, independentemente da prisão de Bolsonaro.
O Xadrez de 2026 e a Soberania Nacional
Finalmente, o cenário para 2026 permanece turvo. A direita pode lançar múltiplas candidaturas para forçar um segundo turno. Ademais, a sombra de Donald Trump reforça o ímpeto golpista na América Latina.
Para vencer, Lula precisa mais do que a prisão de Bolsonaro. Precisamos de medidas concretas:
- Primeiramente, o fim da Escala 6×1 para melhorar a vida do trabalhador.
- Em seguida, um vice de esquerda na chapa, garantindo compromisso histórico.
- Por fim, mobilização popular constante.
A vitória virá apenas se tivermos coragem de fazer as reformas estruturais. Assim, ou radicalizamos na defesa do povo, ou a “ordem” fascista voltará a nos assombrar.