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Política em Arapongas: entre confissões, bastidores e ironias

Imagem de destaque da crônica “Bastidores políticos de Arapongas”, retratando o caos político local com tons sombrios e clima de ironia jornalística.

Nos bastidores da política de Arapongas, até os passarinhos parecem cansados e perderam o compasso. Cantam mais cedo, inquietos, meio desafinados, como se tentassem alertar o povo da cidade dos pássaros de que o ninho anda desarrumado. O espetáculo político da semana foi digno de tragédia com pitadas de comédias: traições, confissões e uma vaidade temperando o prato principal da política local.

Acabou

Dizem que domingo é dia de descanso, mas por aqui a calmaria não existe. O “nobre legendário”, herdeiro de sobrenome e arrogância, aquele que achava que sobrenome bastava para garantir respeito, agora canta sozinho. Foi expulso do grupo, oficialmente despachado, desligado da base governista. Uma reunião tensa, um murro na mesa e a sentença decretada: “acabou!”. O outrora fiel aliado agora vaga pelos corredores como um canto fora de ritmo, tentando provar que ainda tem voz, mesmo desafinando com a realidade.

Confissão política

Enquanto isso, no plenário da Câmara um vereador, num surto de sinceridade — ou de ingenuidade — acabou transformando o plenário em confessionário, confessando publicamente o que muitos disfarçam em silêncio. Sua fala, carregada de naturalidade, soou como um auto de improbidade, dita com a leveza de quem comenta o tempo. Parecia, sobretudo, uma poesia – se não fosse uma confissão de improbidade travestida de desabafo.

Ética na política de Arapongas

E segunda-feira promete mais um capítulo dessa novela política. A Comissão de Ética será formada — uma reunião de moralistas improvisados discutindo virtudes alheias. Entre cochichos e disfarces, cada um tenta salvar o próprio nome, mesmo que o barco político já tenha mais furos que convicções. Desta forma, a ironia é tamanha que até os microfones parecem rir antes de serem ligados.

Nos bastidores políticos de Arapongas, o caos parece ensaiado. A cidade vive o curioso paradoxo de quem mistura drama latino com ironia britânica. Os passarinhos assistem de camarote, rindo dos atores que fingem governar enquanto o palco desaba.

Espetáculo fora dos bastidores

Desta forma, se em Arapongas a política já é um teatro tragicômico, no Rio de Janeiro o Estado resolveu encenar o pior dos dramas: mais uma chacina. A diferença é que, nesse espetáculo, o sangue é real e o aplauso vem das sirenes. A “guerra às drogas” continua servindo de álibi para a guerra contra o pobre. E enquanto os poderosos discutem o tamanho das diárias e o preço dos planos de saúde, mães enterram filhos — em silêncio, sem holofotes, sem comissão de ética.

Começa novembro, mês de finados e ironias. No calendário, flores e velas; na política, máscaras e veludos. Mas entre uma confissão e uma tragédia, o Brasil segue tentando rir para não chorar — e os passarinhos seguem cantando, mesmo sobre o barulho dos tiros. Mas há algo de simbólico nesse caos: quando os microfones se transformam em confessionários e as mesas em trincheiras, é sinal de que a política local perdeu o fio da vergonha. Ainda assim, os passarinhos cantam. Cantam alto, porque sabem — na cidade dos pássaros, a verdade sempre ecoa primeiro.

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