A sessão da Câmara de Vereadores da última segunda-feira foi um espetáculo. Vimos um ato político meticulosamente orquestrado, mascarado de debate pedagógico. Sob a mira dos ataques, um alvo claro: o Secretário de Educação do município.
Para o espectador desatento, parecia uma discussão sobre o futuro do Infantil V. No entanto, para quem conhece os bastidores, foi a materialização de uma perseguição política. Uma ação movida por vaidade ferida e oportunismo ideológico. Em outras palavras, sob o pretexto de defender as crianças, vereadores encenaram um show de vaidades.
O “Fogo Amigo” e o Projeto de Poder Frustrado
É no mínimo surpreendente. O vereador Marcelo Junior, membro da base de apoio e sustentação do prefeito Rafa Cita, usou a tribuna para desferir críticas duras. O alvo foi um secretário da própria gestão. A veemência de sua fala soa descabida. Ele acusa o secretário de não ter “conhecimento técnico”. Afirma que suas falas são “sem conhecimento de realidade”. Se havia um problema real, por que não resolvê-lo internamente, como é praxe entre aliados?
A resposta, claramente, não está na pedagogia. Ela está na política. O discurso parecia indignado. No entanto, a credibilidade se esvai quando lembramos de um detalhe. O mesmo vereador é o primeiro-secretário da mesa e mal consegue ler o nome das ruas durante as sessões. Portanto, sua súbita paixão pela pedagogia soa menos como zelo e mais como revanche.
Nos bastidores, comenta-se que ele exigiu indicações para direções de CMEIs. Diante da recusa, resolveu partir para o confronto público. Consequentemente, temos o fogo amigo de quem queria transformar a educação em cabide de cargos. Uma retaliação desnecessária, que serve apenas para desgastar a administração que ele mesmo deveria sustentar.
O Extremismo Oportunista e Seus Fantasmas
Mas foi o nobre legendário e porta-voz da extrema-direita, Paulo Grassano, quem levou o espetáculo ao absurdo. Ele não apresentou qualquer dado. Mesmo assim, usou o púlpito para destilar seu veneno ideológico. Acusou o secretário de ser “de esquerda”, como se isso fosse crime. Falou em “doutrinação” e “ameaça às crianças”. O mesmo discurso gasto que já sustentou fake news grotescas, como a da “mamadeira de piroca”.
Sua fala é, acima de tudo, o retrato do medo da ignorância. É o medo de ver a escola formar cidadãos críticos. É o medo de perder o monopólio da mentira. O secretário de Educação é um gestor comprometido com o diálogo. Ele valoriza a educação pública. O problema, para os conservadores, é exatamente esse. Um educador que pensa, escuta e se aproxima dos movimentos sociais. Afinal, o que incomoda a direita não é o conteúdo das aulas. É o conteúdo das ideias.
A Cortina de Fumaça para a Perseguição Real
A fala de Grassano é um delírio. Acusar que “a esquerda destruiu esse país” e agora mira as crianças é leviano. É uma afirmação sem fundamento, que ecoa o pior do manual bolsonarista. Na verdade, o estopim para a ira da direita é outro. Não se trata de um projeto educacional. A fúria vem da presença do secretário em eventos sociais e políticos. Ele participou de uma costelada no assentamento Dorcelina Folador e da posse do diretório do PT.
Enquanto Grassano reescreve a Guerra Fria no plenário, os problemas reais persistem. Professores seguem sobrecarregados. Mães aguardam por vagas. Crianças aprendem em salas improvisadas. Contudo, isso pouco importa para quem usa o palanque para inflar o ego e atiçar o ódio. O “debate pedagógico” virou palhaçada. E a Câmara, seu picadeiro.
Em suma, Arapongas precisa decidir de que lado está. Do lado de quem usa a educação como trampolim eleitoral? Ou do lado de quem acredita que conhecimento liberta? Não há neutralidade possível quando o futuro de nossas crianças está em jogo. O que vimos foi menos sobre o Infantil V e mais sobre o infantilismo político. A educação pública não pode ser refém de egos frustrados. E convenhamos, quem tanto teme a escola é porque tem medo de gente que aprende a pensar.
Tanta hipocrisia. Falar do piso do magistério, a valorização dos profissionais da educação ninguém nem cita, estamos desde 2021 sem o pagamento do piso, uma lei federal que não é cumprida. Recursos humanos? Como somos vistos?