| |

O herdeiro milionário que fala em nome do “trabalhador”

Vereador Paulo Grassano na tribuna da Câmara Munipal de Vereadores de Arapongas

Na audiência pública sobre “Pessoas em situação de rua”, Paulo Grassando mostrou porque a alcunha de “vereador sem noção”. O título de “polêmico”, na verdade, é apenas um eufemismo para sua total arrogância de classe. O autoproclamado defensor do “chão de fábrica” é, na prática, o herdeiro do império de um conglomerado de empresas familiar. Ou seja, um filhinho de papai que agora insiste em posar de guardião do suor alheio.

A Matemática Perversa para Atacar os Pobres

O nobre legendário, com a frieza de um gerente de banco, fez uma conta inacreditável. Ele disse ter “mais dó” do trabalhador que rala no chão de fábrica do que da pessoa em situação de rua. E por quê? Porque, segundo a sua matemática de fantasia, o “morador de rua” ganha mais!

Ele soma os R$ 600 do auxílio com uma suposta arrecadação diária de R$ 150 no semáforo, chegando a R$ 3.600 por mês. É um deboche, uma ofensa à inteligência de qualquer um. Ele quer que o operário, exausto e mal pago, olhe para o irmão que está na rua, sem teto e sem dignidade, e sinta raiva dele, não do sistema que explora os dois.

É a velha tática da classe dominante: dividir para conquistar. Eles jogam o penúltimo contra o último da fila para que ninguém olhe para frente e veja quem está no trono, rindo e acumulando tudo.

Um Histórico de Improbidade e Falso Moralismo

Mas é ao se autoproclamar um bastião da moralidade que a hipocrisia do playboy de apartamento atinge o ápice. Como este blog já denunciou à exaustão, o moralismo do vereador não sobrevive a uma consulta aos seus próprios atos. De fato estamos falando do mesmo político alvo de denúncia por improbidade administrativa. Ele foi acusado de usar sua estrutura e cargo para obter contratos com o município.

Como detalhamos na postagem Herança Maldita: Improbidade, Silêncio e Poder em Arapongas, a denúncia era robusta. Além disso, estava amparada em farta documentação. E embora a acusação tenha sido covardemente retirada de pauta, os fatos permanecem. O mesmo vereador que hoje calcula o dinheiro no bolso de quem não tem teto, ontem se defendia de acusações gravíssimas de improbidade.

O “Valente” e a Violência Política de Gênero

Seu falso moralismo também se revela no tratamento dispensado às mulheres. Como expusemos em De Arapongas à ALEP: o método bolsonarista para silenciar mulheres, ele intimidou e silenciou uma vereadora, numa clara demonstração de abuso de poder. O valente que ataca os desvalidos é o mesmo que tenta calar vozes femininas que o contestam.

O Coronel Moderno: Usando a Miséria como Palanque

A hipocrisia é total: o milionário que nunca soube o que é fome posa de justiceiro contra o auxílio que garante o pão de quem não tem teto. Sua coragem de leão para atacar os mais pobres se transforma em covardia quando o assunto é taxar as fortunas de sua própria classe ou responder por seus próprios atos.

Paulo Grassando não é defensor do povo. É o coronel moderno: o herdeiro que se alimenta da miséria para existir politicamente, sempre travestido de um moralista com um telhado de vidro gigantesco.

A nossa luta é contra o sistema, não contra nosso irmão

O verdadeiro inimigo não é quem recebe R$ 600 de auxílio. É o banqueiro que lucra bilhões com a dívida pública. Não é o irmão que pede dinheiro no sinal. É o grande empresário que sonega impostos e paga um salário que não dá nem pra metade do mês.

Eu sei o que é ver a geladeira vazia. Sou filho de empregada doméstica. Portanto, sei o valor de cada centavo de um programa social que impede uma família de desmoronar. Todavia, programas sociais não são “esmola” ou “compra de votos”. São o mínimo de dignidade que um Estado deveria garantir ao seu povo, massacrado por um sistema feito para explorar.

A luta deles é para manter seus privilégios. A nossa luta é por uma vida que valha a pena ser vivida. E essa luta a gente só vence juntos, com consciência de classe e organização popular.

Que a raiva que eles tentam jogar em cima dos nossos irmãos se transforme em combustível para a nossa organização. A gente se vê na luta.

Confira abaixo como foi a audiência pública:

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *