Em 29 de abril de 2015, Curitiba viveu um dos episódios mais vergonhosos de sua história política. O Centro Cívico, palco de manifestações e debates democráticos, foi transformado em um cenário de guerra. Professores e servidores públicos que protestavam contra o confisco do fundo previdenciário foram brutalmente reprimidos pela Polícia Militar do Paraná, sob ordens diretas do governador Beto Richa e do então secretário de segurança, Fernando Francischini.
As cenas daquele dia chocaram o Brasil. Bombas de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha, cavalaria avançando contra cidadãos desarmados—tudo com a conivência do Estado. Os professores, que exigiam dignidade e respeito, foram tratados como inimigos, espancados e humilhados pelas forças de segurança que deveriam protegê-los.
A repressão não foi um erro de cálculo, mas uma decisão política. Richa escolheu o confronto, desprezando qualquer tentativa de diálogo. Seu governo, marcado por escândalos, corrupção e privilégios, apostou na violência como forma de silenciar opositores. Ao seu lado, Francischini, um dos arquitetos da brutalidade, assinava a ordem para transformar Curitiba em uma praça de terror. O então presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, garantiu os votos necessários para aprovar o confisco, fechando o ciclo de traição contra os servidores.
Dez anos depois, os protagonistas desse massacre político tiveram suas biografias jogadas no esgoto da história. Beto Richa, outrora um líder consolidado, coleciona derrotas eleitorais e vê seu nome vinculado a escândalos e operações policiais. Francischini teve sua carreira desmoronada ao ser cassado por disseminação de fake news, tentando voltar à política sem sucesso. Ademar Traiano, que articulava nos bastidores, se tornou peça decorativa em um governo que não tem espaço para figuras desgastadas.
Nenhum discurso conseguirá apagar as marcas do 29 de abril. Governos passam, mas a memória dos que lutaram e foram brutalmente reprimidos continua viva. Hoje, o massacre de Curitiba é um lembrete de que a resistência nunca é em vão—e de que aqueles que governam pela força acabam engolidos pela própria história.