Frequentemente, a política, para quem vive da correria do trabalho, passa como um borrão. E é exatamente com isso que o poder conta. Prova disso é que, na sessão do dia 04 de agosto, Rafa Cita sacou mais um coelho da cartola, ou melhor, mais um projeto em “regime de urgência”.
Para ser exato, o nome da mágica é Projeto de Lei Nº 032/25. Ele chegou, foi carimbado como urgente e, consequentemente, aprovado na velocidade da luz, sem tempo para o povo entender, para a oposição fiscalizar (se é que existe uma) ou para a imprensa questionar (se existe alguma com editorial dedcado a politica araponguense). Contudo, quando a gente para e olha de perto, a mágica se revela um truque barato, que serve apenas para esconder o jogo.
Mas, afinal, qual era a verdadeira emergência? Por acaso a cidade estava sob ataque? Estaríamos diante de uma catástrofe iminente? A resposta é um sonoro “não”. Na realidade, a única urgência era a de passar mais uma manobra com dinheiro público longe dos olhos da classe trabalhadora.
Traduzindo a Mágica: O Que Eles Fizeram?
Basicamente, com a caneta na mão, o prefeito assinou e a maioria dos vereadores abençoou uma operação contábil. Para simplificar, o projeto autoriza a prefeitura a fazer o seguinte:
- Primeiramente, anular R$ 5.000,00 de uma dotação orçamentária do Instituto de Previdência de Arapongas (IPPASA). Especificamente, da verba para “Vencimentos e vantagens fixas pessoal civil”, que é o dinheiro para pagar salários da equipe do instituto.
- Em seguida, criar um “Crédito Adicional Especial” no mesmo valor de R$ 5.000,00, destinando-o para uma nova despesa: “Outros benefícios assistenciais do servidor e do militar”, também dentro do IPPASA.
Traduzindo para o português claro: tiraram cinco mil reais de uma gaveta do IPPASA e colocaram em outra gaveta do mesmo IPPASA. No fim das contas, foi uma mudança interna e burocrática que eles fizeram questão de tratar com a urgência de uma cirurgia de coração aberto.
O Perigo do “Regime de Urgência”
É justamente aí que mora o pulo do gato. A questão não é o valor, mas sim o veneno do método. O “regime de urgência” na política, antes de mais nada, quase nunca serve para resolver uma emergência do povo. Pelo contrário, ele é um instrumento da elite política para atropelar o debate, para calar as perguntas e, por fim, para aprovar o que não pode ser explicado à luz do dia.
Diante disso, qual era a urgência de criar uma nova linha de “benefícios” dentro do instituto de previdência? Por que isso não pôde seguir o trâmite normal, ser discutido nas comissões com tempo e, principalmente, ser apresentado em audiência pública? A resposta, obviamente, é simples: porque a transparência é inimiga de quem governa com truques.
Além disso, esta não é a primeira e não será a última vez. Na verdade, essa tática de usar a “urgência” para aprovar o que lhes convém é um padrão. Portanto, é um jeito de governar que mostra um profundo desprezo pela inteligência do povo..
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.” – Bertolt Brecht
Dessa forma, ao transformar uma manobra de R$ 5 mil em um ato “urgente”, eles reforçam a ideia de que o orçamento é algo para iniciados, para técnicos, e não para o povo que paga a conta. No fundo, eles nos querem exatamente como Brecht descreveu: analfabetos políticos.
Por isso, é hora de mostrar que aprendemos a ler. A ler os números, as leis e, acima de tudo, as suas intenções. Cobre o vereador em quem você votou. Pergunte a ele: “Qual era a emergência do PL 32/25? Você pode me explicar?”.
Finalmente, não aceite a pressa de quem, no fundo, só quer esconder a sua própria incompetência ou má-fé. A vigilância do povo é o único antídoto contra as manobras do poder.