Diante de nós, não temos apenas uma tabela estatística fria. A imagem acima escancara, na verdade, a topografia da luta de classes que rasgou o Brasil ao meio nos últimos anos. Primeiramente, ao compararmos os números de 2018 e 2022, a conclusão para nós, socialistas e periféricos, é um soco no estômago: vencemos a batalha eleitoral, contudo, o exército inimigo saiu da urna maior do que entrou.
A Força da Memória Popular
O primeiro dado que salta aos olhos é a força histórica de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2018, Fernando Haddad, herdeiro de um partido massacrado pelo lawfare, iniciou a disputa com 31 milhões de votos. Por outro lado, em 2022, Lula arrancou com 57,2 milhões.
Essa diferença de 26 milhões de votos prova uma tese central: a luta de classes no Brasil se manifesta na memória da dignidade. O povo pobre não votou apenas em uma legenda; votou, sobretudo, no prato de comida. Consequentemente, o “Lulismo” provou ser a única represa capaz de conter a barbárie.
O Crescimento do Fascismo
Entretanto, este editorial traz um alerta grave. Parem de tratar o Bolsonarismo como uma febre passageira. Os números não mentem: Jair Bolsonaro teve mais votos perdendo em 2022 (58,2 milhões) do que ganhando em 2018 (57,7 milhões).
Mesmo após a negligência na pandemia, o fascismo brasileiro cresceu. Ele criou raízes no chão de fábrica e no latifúndio. Ou seja, o ódio fidelizou. Portanto, a extrema-direita tornou-se uma identidade consolidada, o que intensifica ainda mais a luta de classes em nosso território.
O Fim da Terceira Via
Além disso, a tabela decreta o óbito da “Terceira Via”. A concentração de 91% dos votos nos dois polos mostra que o brasileiro entendeu a urgência. Não havia espaço para isenção. Afinal, a disputa era entre civilização ou barbárie.
Nós vencemos em 2022, mas a margem foi o fio da navalha. A Casa Grande está armada e organizada. Por isso, se a esquerda cochilar, achando que a eleição resolveu o conflito, seremos atropelados. O recado das urnas é claro: a luta de classes não acabou na contagem dos votos; ela apenas mudou de trincheira.