Na política, a fatura da traição costuma chegar com juros altos. E na sessão desta segunda-feira (17), a grave denúncia contra Paulo Grassano lida em plenário desenhou um cenário de terra arrasada para o vereador. O que se viu não foi apenas um rito burocrático, mas a execução de um isolamento político cirúrgico que coloca seu mandato em risco real.
Grassano, que rompeu com a base de sustentação e apoio do prefeito Rafa Cita e apoia candidatura adversária à deputado estadual, agora enfrenta uma acusação robusta sem qualquer blindagem dos antigos aliados.
Denúncia contra Paulo Grassano: O Preposto e o “Batom na Cueca”
Protocolada pela cidadã Maara Cristina, a denúncia contra Paulo Grassano atinge o ponto nevrálgico da atuação parlamentar. O documento acusa o vereador de manter contratos com a Prefeitura através de empresas onde atuaria como gestor de fato, violando a Lei Orgânica.
Juridicamente, o preposto é quem representa o dono. Se ele representava a empresa em juízo já durante o mandato, a tese de defesa cai por terra. A Lei Orgânica de Arapongas é implacável: o Artigo 20 proíbe vereadores de dirigirem empresas que gozem de favor decorrente de contrato com o município. A pena prevista no Artigo 21 é clara: perda do mandato.
O Xadrez da Base e a denúncia contra Paulo Grassano
Com a Comissão de Ética suspensa por decisão judicial (uma vitória de Pirro da oposição), a responsabilidade de julgar a admissibilidade da denúncia caiu no colo da Comissão de Justiça, Legislação e Redação (CCJ). O problema? Grassano era o presidente.
O presidente da Casa, Márcio Nickenig, declarou o impedimento de Grassano, abrindo uma vaga temporária. Foi aí que a “tropa de choque” da situação entrou em campo.
A oposição tentou emplacar Aroldo Pagan na vaga. A estratégia seria óbvia: controlar o relatório para, quem sabe, negociar uma salvação ou causar tumulto. Mas a base governista não permitiu. Com uma disciplina militar, por 10 votos a 4, elegeram o vereador Luizinho (PSD).
A leitura de bastidor é única: o grupo da situação não elegeu Luizinho para salvar Grassano. Eles assumiram a vaga para garantir que a caneta que assinará o relatório – possivelmente pela cassação – esteja em mãos confiáveis.
O Sincericídio na Tribuna
Como se o isolamento não bastasse, o vereador usou a tribuna para se defender da “denúncia contra Paulo Grassano” e acabou produzindo prova contra si mesmo. Ao tentar minimizar os fatos, admitiu os contratos:
“Falam de contratos milionários… O que teve… foi quarenta e um mil reais… e foi feito por inelegibilidade [sic], porque não tem outra concessionária Renault na cidade…”
O vereador confundiu “inelegibilidade” com “inexigibilidade de licitação”. Mas para a Lei Orgânica, pouco importa se houve licitação ou o valor do contrato. A proibição é sobre a relação contratual.
Ao admitir que sua oficina prestou serviço e recebeu do município, Grassano entregou a materialidade que seus algozes precisavam, confirmando o teor da acusação.
A Oposição do Caos e o oportunismo climático
Enquanto a denúncia contra Paulo Grassano tramitava, a “oposição do caos” tentava fabricar outras narrativas. O vereador Décio Rossaneli usou a tribuna para falar sobre furtos no CMEI Primeiros Passos, alegando que a comunidade faz rifa para por alarme. Estamos apurando a procedência, mas o modus operandi de Décio é claro: ele não busca solução, busca tumulto. Sua fala soa mais como uma tentativa desesperada de desgastar a gestão municipal a qualquer custo.
Na mesma linha, Aroldo Pagan atacou a CODAR, comparando o serviço de tapa-buracos a “esterco”. O que resta a Aroldo é isso, ataque pessoal. Ele ignora convenientemente o volume recorde de chuvas que atingiu Arapongas — fator lógico para avarias na malha asfáltica. Transformar intempérie climática em incompetência é a tática de quem está sem discurso.
O Silêncio dos Inocentes?
Por fim, um momento de ironia fina. A Câmara aprovou um projeto do Executivo voltado ao combate à violência contra a mulher. A votação foi rápida, unânime e, curiosamente, silenciosa.
Nenhum vereador ousou discursar. Pudera. Numa Casa que coleciona episódios recentes de violência política de gênero — com interrupções de fala e intimidações físicas contra vereadoras —, o silêncio foi um atestado de culpa. Aprovaram a lei, mas engoliram seco a própria hipocrisia.
O Veredito Político
O processo seguirá o rito legal. Mas o julgamento político já aconteceu. Sem o apoio do grupo, atacado por uma oposição que só quer o caos e com uma confissão gravada, o alvo da denúncia contra Paulo Grassano é hoje um político encurralado. Em Arapongas, a traição política cobra seu preço, e a fatura acaba de ser apresentada.
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O processo ético contra Paulo Grassano teve seu início oficial na manhã desta quarta-feira, 26 de novembro. Durante uma sessão extraordinária tensa, a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Arapongas decidiu o futuro imediato do parlamentar. Por unanimidade, os membros acataram a denúncia que pede a cassação do mandato. Consequentemente, o que se viu…
Documentos oficiais mostram que, no mesmo dia em que foi nomeado secretário, Paulo Grassano assinava empenhos para uma empresa de sua própria família, levantando suspeitas de conflito de interesses e improbidade administrativa.
A iminente prisão de Bolsonaro deve ser comemorada por todo democrata. Afinal, o lugar de quem atentou contra a soberania nacional e gerenciou a morte de milhares na pandemia é, sem dúvida, a cadeia. No entanto, a esquerda não pode cair na armadilha da euforia desmedida. O encarceramento do ex-capitão não encerra o bolsonarismo, tampouco garante a reeleição…