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Contratos públicos de Paulo Grassano sob suspeita

Imagem de denúncia jornalística com o título “Contratos públicos de Paulo Grassano sob suspeita”, simbolizando indícios de favorecimento político em Arapongas.

improbidade administrativa de Paulo Grassano é um caso emblemático do conflito entre o público e o privado em Arapongas. Em especial quando se trata dos contratos públicos . Portanto, ao cruzar documentos oficiais, notas de empenho e registros empresariais, emerge uma engrenagem de poder que uniu mandato político, influência familiar e contratos públicos.
Essa trama, sustentada por evidências verificáveis, revela que a fronteira entre servidor público e empresário foi rompida em favor de interesses pessoais — um retrato do desequilíbrio ético que ainda domina a gestão municipal.

(Leia também: Improbidade administrativa de Paulo Grassano: conflito público e privado)


Improbidade administrativa de Paulo Grassano: cargo e contrato no mesmo dia

No dia 15 de fevereiro de 2023, Paulo Grassano foi nomeado Secretário Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda. Todavia, no mesmo dia, a SSBARCAR Veículos Ltda, empresa de sua família, recebeu o primeiro empenho de pagamento público.
Contudo, essa coincidência cronológica é o estopim da suspeita de improbidade administrativa de Paulo Grassano. Assim sendo, a simultaneidade entre o ato de nomeação e a movimentação financeira revela não apenas imprudência, mas indícios de uso político do cargo para beneficiar empresas com vínculos familiares diretos.

Para confirmar os dados, basta consultar o Portal da Transparência da Prefeitura de Arapongas. Lá estão os registros que mostram pagamentos à SSBARCAR e à ARAVEL — duas empresas com sócios de sobrenome Grassano — enquanto o então secretário ainda exercia cargo com poder orçamentário.


O grupo empresarial e os vínculos cruzados

As empresas envolvidas formam um grupo econômico familiar com base societária interligada.

  • SSBARCAR Veículos Ltda (CNPJ 35.445.821/0001-16) – Sócios: Sérgio (pai) e Pedro (irmão) Grassano.
  • ARAVEL Arapongas Veículos Ltda (CNPJ 75.406.827/0001-07) – Sócios: Sérgio e Sônia (mãe) Grassano.
  • LEVARA Serviços de Manutenção (CNPJ 08.187.188/0001-30) – Sócio-administrador: Paulo Grassano.

Enquanto exercia funções públicas, Paulo Grassano manteve vínculo societário ativo com a LEVARA, o que fere a Lei 8.429/1992, artigo 11, e a Lei Orgânica Municipal.
Esses elementos reforçam o padrão de favorecimento em licitações e contratos com diferentes secretarias — Saúde, Educação e Finanças — durante o período de 2023 e 2024.


O ato falho que confirma a continuidade de poder

Mesmo após sua saída formal da SSBARCAR em agosto de 2024, Grassano compareceu a uma audiência judicial, em maio de 2025, como preposto da empresa. Esse ato, registrado no Tribunal de Justiça do Paraná, desmonta a narrativa de afastamento e demonstra que o vereador ainda exercia influência direta sobre a administração da empresa.

Além disso, a SSBARCAR venceu o Pregão Eletrônico nº 052/2025, no valor de R$ 250 mil, para fornecimento de veículos à Saúde Municipal. Meses depois, a mesma empresa pediu rescisão amigável do contrato, num gesto interpretado como tentativa de apagar rastros administrativos sob escrutínio público.


Nepotismo e cargos de confiança

Outro elemento que agrava a denúncia é a nomeação de Ricardo Luiz Dutra Timo, primo de Paulo Grassano, para o gabinete do vereador. Ricardo é proprietário da empresa RGTIMO LTDA, que também recebeu repasses indiretos segundo o dossiê.
Assim, essa prática se enquadra na configuração de nepotismo funcional, violando o princípio constitucional da impessoalidade (Art. 37 da CF/88).

Enquanto isso, as empresas familiares continuavam a firmar contratos, reforçando a percepção pública de que o poder municipal se transformou em uma extensão do negócio doméstico dos Grassano.


Improbidade e omissão institucional

Até o momento, nenhum posicionamento público foi emitido pela Câmara Municipal de Arapongas sobre a denúncia formalizada no SAPL nº 9397.
O silêncio institucional, somado à, suposta, falta de investigação do Ministério Público do Paraná, amplia a desconfiança da sociedade civil organizada.
Enquanto o caso não avança, a improbidade administrativa de Paulo Grassano continua sendo um tema urgente — não apenas por seu potencial jurídico, mas pelo impacto moral que impõe à gestão pública.

Para contextualizar, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) dispõe de relatórios públicos sobre contratos e empenhos municipais, acessíveis em tce.pr.gov.br.


A oficina do poder

Ao cruzar documentos, decretos e empenhos, o retrato é claro: a improbidade administrativa de Paulo Grassano está embutida em uma teia de relações familiares, cargos e contratos.
Mais do que um caso individual, trata-se de uma engrenagem sistêmica — uma oficina de poder onde cada peça se encaixa perfeitamente para manter o motor do privilégio girando.

A transparência é o óleo que o sistema político de Arapongas precisa urgentemente repor, antes que o motor da democracia funda de vez. Desta forma estamos de olhos nos contratos públicos de Paulo Grassano.

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