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Comissão de Ética da Câmara de Arapongas é eleita sob polêmica

Imagem com fundo escuro e silhueta de um parlamentar diante de um púlpito, com o texto “Disputa marca eleição da nova Comissão de Ética da Câmara de Arapongas”, destacando o clima político tenso na Câmara Municipal.

A segunda-feira, 3 de novembro de 2025, começou agitada na Câmara Municipal de Arapongas. Uma sessão especial, convocada pelo presidente Márcio Antônio Nickenig, definiu a nova Comissão de Ética da Câmara de Arapongas para o biênio 2025-2026. O encontro, no entanto, foi tudo menos tranquilo. Discussões regimentais, abstenções e protestos deram o tom de mais um capítulo conturbado da política local.

Questionamento sobre a legalidade da eleição

Logo na abertura, o vereador Aroldo César Pagan pediu uma questão de ordem. Segundo ele, a eleição era irregular, pois a Comissão de Ética da Câmara de Arapongas é permanente e deveria ter sido formada em janeiro de 2025, junto às demais comissões, conforme o artigo 54 do Regimento Interno.
Além disso, Pagan citou o artigo 7º da Resolução 326/2024, que determina que, em caso de vacância, a Comissão de Justiça e Legislação (CJL) deve assumir as funções da Comissão de Ética.

Ele criticou o procedimento e avisou: caso o processo seguisse, recorreria à Justiça com um mandado de segurança. Por outro lado, parte dos parlamentares defendeu que a eleição deveria ocorrer para regularizar a situação da Casa.

Presidência ignora protestos e mantém votação

O presidente Márcio Nickenig decidiu seguir com a votação, apesar das críticas.

“Eu acho que tem que continuar e vou dar sequência aqui. Se depois acharem inconveniente, entre com recurso e anule”, afirmou.

Durante a sessão, ele repreendeu Pagan por mencionar o salário de um servidor. Segundo o presidente, o gesto demonstrou “falta de respeito”. Mesmo com o clima tenso, a votação nominal prosseguiu sob protestos da oposição.

Enquanto isso, alguns vereadores tentavam acalmar os ânimos, ressaltando que o debate deveria se manter dentro dos limites regimentais. Contudo, a sessão já estava marcada por tensão e divergências internas.

Candidatos e abstenções na eleição

Três nomes disputaram as vagas da Comissão de Ética da Câmara de Arapongas:

  • Simone de Almeida Santos (PSD) – 11 votos;
  • Rosimeire Soares Gomes (PDT) – 10 votos;
  • Marcelo Júnior de Souza (PP) – 10 votos.

Quatro vereadores se abstiveram. Entre eles estavam Arnaldo Aparecido Pereira, Décio Roberto Rosaneli e Aroldo Pagan, que declarou:

“Abstenho-me por não concordar com o procedimento adotado aqui.”

Portanto, o resultado final refletiu não apenas a divisão política, mas também a insatisfação de parte dos parlamentares com o rito conduzido pela Mesa.

Comissão de Ética eleita e próximos passos

A nova Comissão de Ética tem cinco dias para escolher seu presidente interno. A sessão terminou com clima de desconforto e promessas de recurso judicial.
Além disso, a base governista sustentou a legalidade da eleição, mas a oposição avalia que houve violação do regimento interno.

Assim, a política araponguense soma mais um embate, onde a ética vira tema de disputa e não de convicção. Nos bastidores políticos de Arapongas, comenta-se que a nova comissão já nasce sob o peso da desconfiança — e que a transparência, por aqui, segue sendo promessa em construção.

A nova Comissão de Ética, vale lembrar, não terá vida fácil. Há uma fila de assuntos delicados à espera de análise: denúncias de suposta improbidade administrativa, casos de violência política de gênero e outras situações que já deveriam ter sido enfrentadas. Espera-se, portanto, que o futuro presidente da comissão abandone a confortável arte de “fingir que não é com ele” e finalmente mostre coragem para investigar, inclusive, seus pares.
Afinal, ética de verdade não se mede por discurso — mas pela disposição de encarar o espelho sem corar.

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