A paciência do araponguense secou, assim como as nossas torneiras. Mais uma vez, a falta de água Arapongas castiga bairros inteiros, transformando a rotina do trabalhador em um verdadeiro calvário. Infelizmente, essa situação tornou-se uma rotina cruel que afeta, principalmente, quem vive na periferia e não possui grandes reservatórios para suportar dias seguidos de inoperância. Enquanto a conta chega pontualmente — e com valores cada vez mais salgados —, o serviço essencial falha justamente no momento em que a população mais precisa.
Falta de água Arapongas: A reação do Executivo
Nesta semana, a indignação popular finalmente encontrou eco no Paço Municipal. Em uma nota pública contundente, o prefeito Rafa Cita rompeu o silêncio protocolar. Ele subiu o tom contra a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), classificando a situação como algo que está “passando de todos os limites”.
Além disso, o chefe do Executivo determinou que a Procuradoria Jurídica notifique a empresa imediatamente. O objetivo é exigir explicações documentais robustas. Dessa forma, a administração deixa claro que não aceitará mais apenas as notas de imprensa padronizadas que estamos acostumados a receber toda semana.
A postura do Executivo é correta e necessária. A alegação da concessionária sobre a falta de água Arapongas é, invariavelmente, a mesma: “rompimento de adutora” ou “problemas técnicos”. No entanto, a reiteração frequente desses eventos sugere algo muito mais grave do que meros acidentes operacionais. O que estamos vendo soa como falta de planejamento estrutural e ausência de investimento preventivo na rede.
Água é direito, não mercadoria
Para nós, do O Trovão, a água não é uma mercadoria que se vende quando convém. Pelo contrário, ela é um direito humano inalienável. Quando a Sanepar falha, ela não está apenas descumprindo um contrato comercial; está ferindo a dignidade das famílias. É a mãe que não consegue dar banho no filho, é o trabalhador que chega do serviço e não tem como lavar o uniforme, é a higiene básica que se compromete.
Por isso, o desabastecimento não é democrático: ele sempre atinge primeiro as pontas da rede, as áreas mais altas e os bairros mais humildes. É muito fácil falar em “manutenção emergencial” quando não se sente na pele o desespero de girar a torneira e ouvir apenas o som do ar.
Sanepar precisa apresentar soluções reais
A notificação expedida pelo prefeito Rafa Cita é um primeiro passo importante. Ela serve para restabelecer a soberania do município sobre seus serviços essenciais. Não podemos aceitar que uma gigante estatal, que reporta lucros bilionários anuais, trate uma cidade do porte de Arapongas com descaso.
Se a adutora rompe toda semana, a culpa não é do acaso. Ou seja, trata-se de incompetência ou da obsolescência de uma rede que não acompanhou o crescimento da nossa cidade. Portanto, Arapongas exige mais do que notas de esclarecimento. Exigimos um plano de contingência real e investimentos na troca de tubulações antigas.
Em suma, o prefeito deu o recado: o tempo da tolerância acabou. Agora, cabe à Sanepar provar se tem capacidade técnica para operar aqui. Estamos vigilantes. Se a água não vier, a cobrança virá em dobro.