Nós, da quebrada, da luta por justiça e igualdade, repudiamos com toda nossa força o ataque racista sofrido pelo deputado Renato Freitas nesta quarta-feira, 19 de novembro, no centro de Curitiba. A agressão física, resultou em fratura no nariz de Renato, não é fruto de um desentendimento banal — teve motivação pela injúria racial, humilhação e preconceito que tentam calar negros que ousam ocupar espaços de poder.
Renato é irmão de caminhada, consequentemente amigo de luta na periferia. Sua trajetória sempre foi de resistência contra o racismo estrutural, contra a desigualdade e contra quem acha que a cor da pele define valor. E, por isso, não admitimos que sua reação à provocação seja tratada apenas como “briga de rua”: é resposta legítima a uma violência antiga, repetida, cotidiana.
Neste momento, reafirmamos nossa solidariedade plenária a Renato Freitas: estamos com você, companheiro, na fila da justiça, na resistência e na denúncia. Além disso, quando alguém ataca nossa voz, estamos obrigados a levantar nosso grito coletivo — e a união é nossa arma.
A brutalidade desse ataque se torna ainda mais simbólica porque aconteceu justamente na véspera do Dia da Consciência Negra — quando celebramos a memória, a dignidade e a força dos povos negros. É inaceitável que, nesse momento de reflexão, haja novamente tentativa de apagamento, de violência, de silenciamento.
Exigimos uma investigação rigorosa: que as autoridades identifiquem o agressor, responsabilizem-na e punam-na conforme a lei. E também exigimos que a sociedade entenda: resistir ao racismo é tarefa diária. Não basta apoiar nas redes, é preciso responsabilizar na prática.
A resposta precisa ser firme, coletiva e politicamente organizada. O racismo não se combate com silêncio, muito menos com relativização. Assim, repudiamos com veemência a agressão sofrida por Renato e exigimos investigação rápida e responsabilização imediata dos envolvidos. Afinal, não existe democracia quando deputados negros são agredidos nas ruas como se sua vida fosse descartável.
A solidariedade entre nós não nasce apenas da amizade, mas do compromisso com uma agenda que enfrenta o racismo todos os dias. Sabemos que resistir custa caro. Ainda assim, ninguém recua. Porque cada ataque confirma a urgência da luta.
Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, reafirmamos: não passarão. Cada gesto racista receberá resposta política, jurídica e coletiva. E cada ataque contra um de nós será enfrentado como ataque contra todos. O Brasil que sonhamos exige coragem — e seguimos prontos para honrá-la.
Renato, irmão, seguimos lado a lado. E para todos aqueles que tentam nos calar, deixamos claro: nossa voz não se parte, não se apaga e não se rende.
Solidariedade permanente,
Tiago Prado — O Trovão