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O silêncio da Câmara no Dia da Consciência Negra

Silêncio da Câmara de Arapongas sobre o Dia da Consciência Negra, com sombra de uma pessoa negra e destaque do portal O Trovão.

silêncio da Câmara no Dia da Consciência Negra foi mais do que constrangedor; foi revelador. A sessão de 17 de novembro escancarou que a pauta racial não é prioridade para quem ocupa o Legislativo da Cidade dos Pássaros. Em vez de reconhecer a data, os vereadores optaram por ignorá-la completamente, demonstrando um incômodo que fala mais do que discursos formais.

Quando o silêncio revela intenções

silêncio da Câmara pro Dia da Consciência Negra ficou evidente logo no início da sessão. Nenhum vereador, incluindo Cecéu, Levi e Arnaldo do Povo — todos homens pretos — se pronunciou. O vereador Marcelo, que recentemente passou a se declarar “pardo”, também permaneceu sentado, imóvel, calado. E o presidente da Casa, mais uma vez, conduziu o silêncio com a tranquilidade de quem sabe que ninguém ali pretende desafiar o padrão.

Além disso, a omissão ganha outro peso quando lembramos que esta mesma Câmara aprovou uma moção de repúdio ao presidente Lula após ele chamar de genocídio o massacre em Gaza. Naquele dia, houve microfone, houve ânimo, houve coragem para distorcer a realidade.

As vozes que surgem e as vozes que somem

Durante aquela sessão, o autor da moção afirmou que crianças palestinas mortas seriam “criancinhas do Hamas”, insinuando que eram alvos legítimos. Naquele momento, quase todos os vereadores falaram sem hesitar. Contudo, quando chegou o Dia da Consciência Negra, todos recuaram. Nenhum gesto simbólico. Nem mesmo um pequeno reconhecimento histórico.

Por isso, o silêncio da Câmara no Dia da Consciência Negra não foi falha. Foi alinhamento político. E quando um plenário escolhe convenientemente quando levantar a voz, ele também escolhe quais vidas importam.

O Trovão não esquece — e Arapongas não deveria esquecer

A política local precisa entender que omissão também tem impacto — e custo. Embora o silêncio seja confortável para quem o pratica, ele é violento para quem dele é alvo. Dessa forma, Arapongas ouviu o silêncio, sentiu o silêncio e, agora, precisa decidir se aceita que sua Câmara trate a pauta racial como descartável.

O Trovão seguirá registrando. E não vamos permitir que o apagamento seja a regra.

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