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Denúncia contra Paulo Grassano isola vereador na Câmara

Ilustração representando a denúncia para cassação do vereador Paulo Grassano. A imagem mostra a relação entre o poder político, o dinheiro da elite e o medo imposto a quem ousa denunciar a corrupção em Arapongas.

Na política, a fatura da traição costuma chegar com juros altos. E na sessão desta segunda-feira (17), a grave denúncia contra Paulo Grassano lida em plenário desenhou um cenário de terra arrasada para o vereador. O que se viu não foi apenas um rito burocrático, mas a execução de um isolamento político cirúrgico que coloca seu mandato em risco real.

Grassano, que rompeu com a base de sustentação e apoio do prefeito Rafa Cita e apoia candidatura adversária à deputado estadual, agora enfrenta uma acusação robusta sem qualquer blindagem dos antigos aliados.

Denúncia contra Paulo Grassano: O Preposto e o “Batom na Cueca”

Protocolada pela cidadã Maara Cristina, a denúncia contra Paulo Grassano atinge o ponto nevrálgico da atuação parlamentar. O documento acusa o vereador de manter contratos com a Prefeitura através de empresas onde atuaria como gestor de fato, violando a Lei Orgânica.

O golpe fatal não está no contrato social, mas numa ata de audiência datada no dia 21 de maio de 2025. Nela, o parlamentar aparece assinando como preposto da empresa “SSBARCAR“.

Juridicamente, o preposto é quem representa o dono. Se ele representava a empresa em juízo já durante o mandato, a tese de defesa cai por terra. A Lei Orgânica de Arapongas é implacável: o Artigo 20 proíbe vereadores de dirigirem empresas que gozem de favor decorrente de contrato com o município. A pena prevista no Artigo 21 é clara: perda do mandato.

O Xadrez da Base e a denúncia contra Paulo Grassano

Com a Comissão de Ética suspensa por decisão judicial (uma vitória de Pirro da oposição), a responsabilidade de julgar a admissibilidade da denúncia caiu no colo da Comissão de Justiça, Legislação e Redação (CCJ). O problema? Grassano era o presidente.

O presidente da Casa, Márcio Nickenig, declarou o impedimento de Grassano, abrindo uma vaga temporária. Foi aí que a “tropa de choque” da situação entrou em campo.

A oposição tentou emplacar Aroldo Pagan na vaga. A estratégia seria óbvia: controlar o relatório para, quem sabe, negociar uma salvação ou causar tumulto. Mas a base governista não permitiu. Com uma disciplina militar, por 10 votos a 4, elegeram o vereador Luizinho (PSD).

A leitura de bastidor é única: o grupo da situação não elegeu Luizinho para salvar Grassano. Eles assumiram a vaga para garantir que a caneta que assinará o relatório – possivelmente pela cassação – esteja em mãos confiáveis.

O Sincericídio na Tribuna

Como se o isolamento não bastasse, o vereador usou a tribuna para se defender da “denúncia contra Paulo Grassano” e acabou produzindo prova contra si mesmo. Ao tentar minimizar os fatos, admitiu os contratos:

“Falam de contratos milionários… O que teve… foi quarenta e um mil reais… e foi feito por inelegibilidade [sic], porque não tem outra concessionária Renault na cidade…”

O vereador confundiu “inelegibilidade” com “inexigibilidade de licitação”. Mas para a Lei Orgânica, pouco importa se houve licitação ou o valor do contrato. A proibição é sobre a relação contratual.

Ao admitir que sua oficina prestou serviço e recebeu do município, Grassano entregou a materialidade que seus algozes precisavam, confirmando o teor da acusação.

A Oposição do Caos e o oportunismo climático

Enquanto a denúncia contra Paulo Grassano tramitava, a “oposição do caos” tentava fabricar outras narrativas. O vereador Décio Rossaneli usou a tribuna para falar sobre furtos no CMEI Primeiros Passos, alegando que a comunidade faz rifa para por alarme. Estamos apurando a procedência, mas o modus operandi de Décio é claro: ele não busca solução, busca tumulto. Sua fala soa mais como uma tentativa desesperada de desgastar a gestão municipal a qualquer custo.

Na mesma linha, Aroldo Pagan atacou a CODAR, comparando o serviço de tapa-buracos a “esterco”. O que resta a Aroldo é isso, ataque pessoal. Ele ignora convenientemente o volume recorde de chuvas que atingiu Arapongas — fator lógico para avarias na malha asfáltica. Transformar intempérie climática em incompetência é a tática de quem está sem discurso.

O Silêncio dos Inocentes?

Por fim, um momento de ironia fina. A Câmara aprovou um projeto do Executivo voltado ao combate à violência contra a mulher. A votação foi rápida, unânime e, curiosamente, silenciosa.

Nenhum vereador ousou discursar. Pudera. Numa Casa que coleciona episódios recentes de violência política de gênero — com interrupções de fala e intimidações físicas contra vereadoras —, o silêncio foi um atestado de culpa. Aprovaram a lei, mas engoliram seco a própria hipocrisia.

O Veredito Político

O processo seguirá o rito legal. Mas o julgamento político já aconteceu. Sem o apoio do grupo, atacado por uma oposição que só quer o caos e com uma confissão gravada, o alvo da denúncia contra Paulo Grassano é hoje um político encurralado. Em Arapongas, a traição política cobra seu preço, e a fatura acaba de ser apresentada.

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