A recente sucessão de acidentes na PR-444 em Arapongas revela com urgência o estado de abandono imposto aos cidadãos por gestores públicos irresponsáveis. Ontem (15) nesta última ocorrência , três pessoas ficaram feridas em meio a um cenário caótico, fruto de um planejamento urbano falho que coloca, diariamente, a vida dos araponguenses em risco. Embora não estejamos torcendo ou desejando que tragédias aconteçam, é evidente que não demora para que o primeiro óbito seja registrado, e, tr.
O bairro em questão não faz parte do Programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal, mas sim de uma iniciativa do próprio governo do Estado do Paraná. Desde o seu planejamento, a localização foi determinada de forma a atender interesses que favorecem um grupo seleto: os proprietários de chácaras na região. Enquanto esses beneficiados colhem alguma comodidade ao explorar brechas decorrentes da falta de moradia adequada para a maioria, a população que ocupa as casas populares sofre com a omissão dos gestores. Essa região, estrategicamente afastada do centro urbano, obriga os moradores a atravessarem a PR-444 – uma rodovia de intenso movimento – sem qualquer infraestrutura de segurança.
A ausência de passarelas, semáforos e iluminação adequada na rotatória de acesso ao bairro configura um risco inaceitável, transformando cada deslocamento em uma verdadeira aposta contra a própria vida. Estamos lidando com mais de mil famílias que estão vivendo nesse local. A negligência se torna ainda mais escancarada quando se constata que essa falha não é acidental, mas sim o resultado de decisões políticas equivocadas. Vereadores, ao autorizarem a cessão de terreno para a construtora, assinaram um contrato tácito de omissão que, aliado às inauguracões irresponsáveis do ex-prefeito e do atual, evidencia uma falha completa na gestão urbana de Arapongas.
O governo do Estado, sob a condução do governador Ratinho Junior, também não escapa dessa responsabilidade. Ao financiar um projeto que, à primeira vista, pretendia oferecer moradia popular, mas que na prática isolou o bairro e expôs seus habitantes a riscos extremos, o poder estadual demonstra descompasso com as necessidades reais da população. Esse colégio de autoridades, movido por interesses políticos e econômicos, negligencia o básico: a segurança dos cidadãos.
Não é exagero afirmar que se um derramamento de sangue vier a ocorrer, este será o marco do fracasso daqueles que se omitiram em garantir condições mínimas de habitabilidade. É urgente que as autoridades responsáveis promovam medidas emergenciais – como a instalação imediata de passarelas, semáforos e melhorias na iluminação – para evitar que o primeiro óbito seja atribuído a esse imenso descaso. A população de Arapongas merece respeito, e a vida humana não pode ser tratada como moeda de troca em jogos políticos míopes e irresponsáveis.
Deu na RPC, clique aqui e veja o vídeo do acidente do dia 15 de abril de 2025.