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Violência Machista de Gênero: Aroldo Pagan expõe o machismo

lustração caricatual de um parlamentar agressivo em plenário, representando a violência política de gênero na Câmara de Arapongas.

A Ofensa Misógina

Durante a sessão do dia 29 de outubro, na Câmara de Vereadores de Arapongas, o vereador Aroldo Pagan protagonizou um episódio grave de violência política de gênero, ou melhor, violência machista de gênero. Ao ser interrompido por uma servidora da casa na plateia, ele reagiu dizendo: “com exceção de uma senhora perturbada ali… dá um remedinho pra ela e eu continuo.”
A fala, carregada de deboche, não refutou uma ideia; atacou a pessoa. Ao sugerir que a mulher era “perturbada” e precisava de “remédio”, o vereador utilizou uma prática antiga e cruel: a patologização da discordância. Em outras palavras, ele tentou transformar a crítica em “loucura”. Esse tipo de discurso reforça o velho estereótipo da mulher “histérica”, usado há séculos para deslegitimar vozes femininas.

Além disso, o contexto é importante. O plenário é um espaço público e democrático. Portanto, qualquer fala que reduza uma mulher à condição de “instável” ou “emocional” não é apenas desrespeitosa — é violência simbólica e política.

O Manterrupting

Minutos depois, a vereadora Meyri Faria, Procuradora da Mulher da Câmara, subiu à tribuna para repudiar o episódio. No entanto, o mesmo vereador a interrompeu enquanto ela falava. Embora o microfone dele estivesse desligado, a reação de Meyri foi imediata e contundente:
“Como sempre as mulheres aqui não podem falar, sempre vocês acham que nós nunca podemos falar.”

Esse momento sintetiza o mansplaining e o manterrupting — formas de silenciamento em que homens interrompem ou corrigem mulheres, tentando reafirmar poder e autoridade. Ainda que pareçam simples interrupções, elas revelam uma estrutura de dominação. Afinal, quem cala a voz de uma mulher, tenta manter o controle sobre o espaço público.

A Intimidação Física

Enquanto Meyri reagia à interrupção, outro vereador, levantou-se e passou por trás dela, circulando a tribuna de modo ostensivo. O gesto, embora silencioso, teve peso simbólico. Ele ocupou o espaço físico da oradora, criando uma atmosfera de pressão e desconforto.
Esse tipo de movimento não é casual. É uma tática clássica de intimidação corporal, usada para reforçar o domínio masculino em situações de conflito verbal. Quando a palavra feminina se ergue, o corpo masculino se impõe.

O que está em jogo na violência política de gênero

O episódio não foi um “bate-boca”. Ele revelou o funcionamento da violência machista de gênero dentro do Legislativo de Arapongas. Aroldo ofendeu uma mulher; interrompeu outra; e contou com a ação física de um aliado.
A fala de Meyri — “como sempre as mulheres aqui não podem falar” — é mais que desabafo. É diagnóstico. Mostra que o plenário ainda é um território desigual, onde mulheres precisam lutar não apenas por ideias, mas pelo direito de falar.

Por isso, é fundamental que a Câmara Municipal reconheça e repudie o ocorrido, violência machista de gênero. Não se trata de opinião política, e sim de respeito institucional e humano.
Silenciar mulheres é perpetuar o autoritarismo. E enquanto a política local permitir que o machismo fale mais alto, a democracia continuará doente.

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