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Arapongas: Desafios do Campo Progressista

Em Arapongas, no norte do Paraná, os números das eleições de 2022 pintam um quadro que, à primeira vista, desafia as esperanças do campo progressista. Com resultados que evidenciam uma predominância do conservadorismo – por exemplo, no pleito presidencial, Jair Bolsonaro obteve 70,35% dos votos enquanto Lula ficou com 22,50% – o cenário revela a dificuldade de mobilizar a base operária e camponesa em um contexto de forte influência dos discursos de ordem e valores tradicionais.

Na eleição para Governador, o candidato de PSD, Ratinho Junior, recebeu surpreendentes 82,13% dos votos, reforçando a mensagem de que, mesmo em municípios com forte presença industrial e comércio, a maioria dos eleitores se identifica com propostas que priorizem a segurança e a estabilidade. Essa realidade está intimamente ligada ao perfil social do município, composto por trabalhadores que, apesar de historicamente simbolizarem a luta progressista, hoje demonstram preferir a retórica conservadora, movida, em parte, pela influência das lideranças religiosas-políticas e pela propagação de ideias que rejeitam o que muitos associam à “agenda esquerdista”.

Quando observamos os resultados para o Senado e para os deputados (federal e estadual), notamos que os partidos de direita se consolidaram. No Senado, Paulo Martins (PL) alcançou 38,69% dos votos e Sergio Moro (UNIÃO BRASIL) obteve 31,78%, enquanto os deputados federais e estaduais ficaram, em sua maioria, nas mãos de partidos como PROGRESSISTAS, PL, PSD e outros nomes que hoje seguem uma linha mais conservadora. A Câmara Municipal, que atualmente conta com maior representatividade de parlamentares de direita – inclusive com presença de extremos – representa um ambiente de resistência às pautas progressistas. Em Arapongas, a única vereadora eleita do PT, foi em 2008, simbolizando a fragilidade dos espaços de luta e a necessidade urgente de renovação de estratégias.

Diante desse cenário, o campo progressista precisa repensar suas estratégias. A reeleição do presidente Lula e a composição do Congresso Nacional, junto com a Assembleia Legislativa do Paraná, abrem possibilidades para reverter esse quadro. É essencial que os movimentos em defesa da classe trabalhadora e camponesa articulem campanhas que dialoguem de forma mais direta com os anseios locais, resgatando valores históricos e promovendo políticas que eficazmente melhorem a vida das pessoas. Hoje, o desafio é mobilizar e reconquistar a confiança dos eleitores, mostrando que o progresso e a justiça social são, de fato, possibilidades reais para Arapongas e para o país.

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